Vim, vi e venci

_private_var_mobile_Containers_Data_Application_DB304CF5-A8E9-4CC1-88D9-887FFD8384E7_tmp_D1CCFEC8-76C1-43C1-9CF9-32F35E14B18E_ImageDiana Bispo e Mariana Nóbrega

Relatos de vitória de quem enfrentou adversidades e conquistou o sucesso

Imagine nascer e crescer em uma cidade do interior, numa família grande e com poucos recursos. O destino parece traçado: nada de sonhos, pois não há condições de realizá-los. Porém, esta reportagem mostra exatamente o contrário. É possível ir muito além do “traçado pelo destino” . Relatos, como do Alexandre Santos, empresário bem-sucedido em Brasília, a médica Maria Conceição Alves, das jornalistas Mônica Marques e Suênia Dantas e a emocionante história do segurança João Inácio Dias Filho, que remendava sandálias de dedo para ter como caminhar. Veja a seguir:

De taxista a dono da mais famosa hamburqueria de Brasília

Vivendo uma fase delicada financeira, em 2004, Alexandre Santos, 45 anos, alugou um espaço no Gama, e chamou de “Dog do Geléia”. Seis anos depois, já reunia quatro lojas e decidiu ampliar. Foi para São Paulo onde fez cursos de gestão, franquia e administração. Porém, entre o sonho e a execução veio a decepção. Mas, não desistiu: resolveu repensar o modelo. Com um empréstimo bancário de R$ 200 mil, aplicou em um sistema de food truck, febre nacional. Em São Paulo, conheceu o chamado “serviço gourmet”. 

“As pessoas costumavam me chamar de Geléia na época em que era taxista, pois me achavam parecido com um outro taxista famoso em Brasília conhecido como ‘Geleião’. O apelido pegou e eu gostei”, disse. “Hoje tenho nove lojas, quatro food trucks e O Concorrente, hamburgueria inaugurada em 2018, na Asa Norte. Nela, o cliente é o chef, ou seja, monta o burger a gosto. A minha ideia para o Concorrente é implementar todas as loucuras que sonhei em um empreendimento, além disso concorrer com minha outra marca, o Geléia Hamburgueria.”

Da vida no interior à médica reconhecida

Vinda de uma família simples, em Campina Grande (Paraíba), Maria Conceição Alves, a Ceiça, 47 anos, sonhava em ser médica. Sonho que para alguns era quase impossível por causa das dificuldades financeiras. Porém, ela jamais desistiu. Não tinha condições de pagar uma faculdade particular, então enfrentou vários vestibulares até passar na Universidade Federal de Campina Grande, hoje é médica anestesista.

“Meu sonho sempre foi ser médica. Na época, tive que estudar muito para conseguir entrar em uma faculdade pública porque meus pais não tinham condições de pagar meus estudos em uma particular. Após muitas tentativas passei para o curso de nutrição. Eu comecei o curso, mas aquilo não era o que eu queria então continuei estudando. Quando finalmente passei para medicina, eu já estava quase me formando. Fiquei muito feliz, depois de tanto tempo, estudando sem parar foram recompensados e pude realizar meu sonho de ser médica.”

De um escritório-carro à agência de consultoria de comunicação 

Em 2015, as jornalistas Mônica Marques, 33 anos, e Suênia Dantas, 37 anos, amigas e cúmplices, decidiram fazer “algo diferente” e criam a Prezz Comunicação, que se tornou referência em assessoria para o mercado gastronômico. O início da empresa foi turbulento, Mônica e Suênia começaram os trabalhos dentro de um carro, pois não tinham condições de alugar uma sala. Hoje trabalham no Espaço 365, que também assessoram, além de outros 20 clientes fixos, produzem conteúdo, gerenciam crises, fazem gestão de mídias sociais e produção de fotos. A Prezz Comunicação é a única que se manteve na área, nos últimos quatro anos, com uma equipe de quatro pessoas.

“Não tínhamos recursos financeiros, mas tínhamos muito respeito do mercado e sabíamos o que estávamos fazendo. Nosso primeiro grande cliente foi conquistado depois de muita insistência”, afirmou Suênia. “Hoje estamos muito felizes com o que alcançamos se preciso fosse, faríamos tudo de novo do mesmo jeito”, acrescentou Mônica.

De lavador de panelas a servidor público concursado no Judiciário 

Vindo de uma família pobre de Minas Gerais, João Inácio Dias Filho, 57 anos, aprendeu com os pais a ajudar o próximo, dividir. Com 13 irmãos, o pai precisava dividir um pão em 4 partes para os filhos comerem. Aos 15 anos, viu uma oportunidade e abraçou. Ele conseguiu um emprego de lavador de panelas no Clube dos Previdenciários, onde ficou até os 18 anos e entrou para o serviço militar e serviu por um ano. Fez supletivo, caminhava 8 quilômetros até a escola, e estudou para o primeiro concurso, passando para Previdência Social. Sempre sonhando em ganhar mais, fez outro concurso e hoje está como agente de segurança do Poder Judiciário.

“Quanto maior os obstáculos, maior a vitória”, afirmou. “Como não tinha dinheiro para muito, também não o tínhamos para comprar sapatos, sempre que encontrava havaianas estragada na rua, levava para casa colocava um prego para poder usar. Vendo o esforço para estar na escola, a professora comprou um tênis para mim, para que não desistisse. De tudo que passei, não mudaria nada na minha história, porque ela me trouxe até aqui.”