Vida após a morte

Transplantes cardíacos deram uma nova chance a diversas pessoas no Distrito Federal

transplante cardiaco

Nathália Vargas

Como você reagiria ao receber a notícia de que a única forma de continuar a viver seria através de um transplante de coração? A doação de um órgão pode ser a única chance de um recomeço para as pessoas que se encontram em um estágio muito avançado de uma doença cardíaca.

O transplante é um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão de uma pessoa doente, chamado de receptor, por outro de um doador, vivo ou morto. Órgãos como o coração só podem ser doados ao ser constatada  a morte encefálica do doador.

O Brasil ocupa o segundo lugar na lista de maiores transplantadores, perdendo apenas para os Estados Unidos, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Em Brasília, os transplantes cardíacos, por exemplo, são realizados gratuitamente no Instituto de Cardiologia.

A Central Nacional de Transplantes (CNT), vinculada ao Ministério da Saúde, informou que o período da espera está mais relacionado à quantidade de doentes em lista aguardando pelo mesmo órgão, à necessidade de compatibilidade entre doadores e receptores e à disponibilidade de órgãos durante o período de permanência em lista.

Casos

Após a gestação e com excesso de peso, Elaine Cristina da Costa Gomes, 42 anos, decidiu procurar ajuda de um profissional responsável da educação física. Com os exames, veio a surpresa. 

“Foram detectados nos exames que meus batimentos cardíacos não estavam normais e a partir daí, decidi ir atrás para saber o que estava acontecendo”, disse Elaine Gomes, que descobriu sofrer da Doença de Chagas – causada pelo barbeiro.

A aposentada chegou a ser internada diversas vezes enquanto aguardava a cirurgia. “Quando entrei para a fila de transplante, fiquei internada novamente, mas dessa vez precisei aguardar o coração em um leito de UTI.”

Transplante

Em 2017, a Central Estadual de Transplantes (CET),  em funcionamento no Hospital de Base de Brasília, realizou 380 transplantes cardíacos no país, sendo 37 deles na capital federal. Nos últimos sete meses de 2019, houve 21 transplantes (cardíacos) no DF. 

Após sofrer um infarto em 2009, Iris Vargas, 52 anos, foi diagnosticada com Doença de Chagas anos depois, já em um estágio muito avançado. Ao ter episódio de desmaio e falta de ar constante, precisou ser hospitalizada.

“Em 2016, após um desmaio na rua, precisei ficar internada devido a uma insuficiência cardíaca grave.Estava muito fraca e não conseguia fazer atividades simples dentro de casa, como caminhar, dormir ou comer”, relatou.

“Passei a ter vida”, diz a aposentada

Dois meses após saber que precisaria de um transplante, Elaine Cristina da Costa Gomes passou a aguardar o novo coração. Após oito dias internada, com 38 anos, veio a notícia: o órgão havia chegado. 

“Depois do transplante, passei a ter qualidade de vida. O sucesso do meu transplante só vai depender da minha forma de encará-lo”, sintetizou a aposentada, que hoje está com 42 anos.

Ao receber a notícia de que a solução para o seu caso seria um transplante, Iris Vargas procurou o Instituto de Cardiologia. Após exames e internação, ela recebeu seu coração. 

“O transplante para mim foi um renascimento. Eu não estava vivendo mais,não conseguia dormir ou comer. Depois da cirurgia, voltei a ter uma vida normal, mas com algumas restrições”, afirmou.

Compartilhando experiências

Enquanto aguardava uma consulta de rotina e observando os pacientes, Elaine Cristina da Costa Gomes, transplantada há quase 4 anos, viu ali uma oportunidade para compartilhar suas experiências com outras pessoas que vivem a mesma realidade.

Elaine Cristina criou o grupo no aplicativo WhatsApp, chamado “Amigos do Coração”, para dividir experiências e dicas sobre o tratamento com outros transplantados. São mais de 100 integrantes, entre pacientes e familiares.

“Temos muitas dúvidas sobre horários e consultas e ele ajuda nessas informações”, disse Jardenia Pereira de Araújo, 32 anos, transplantada há 2 anos. 

“O grupo é muito bom, ajuda bastante. Notícias do hospital sempre chegam por lá, ajuda muita gente que precisa e tem mais dificuldade em buscar as respostas do tratamento”, disse Marilânia Alves Rios Cordeiro, 47 anos, transplantada em 2014.

Para ser um doador ou entrar em contato com a Central Nacional de Transplantes (CNT), vinculada ao Ministério da Saúde.

SERVIÇOS:

Telefone: 61 3315.6299 | 3315.9264 | 0800 644 64 45

Email: centralnacional@saude.gov.br