Reprodução Assistida

HMIB é referência há mais de 2 décadas no DF

Ribamar Martins

O sonho de ser mãe sempre fez parte da vida de Maria Oliveira, de 32 anos. Casada há 10 anos, ela encontrou no marido o apoio para compartilhar o projeto de vida. Pai de dois filhos e recém-separado, Raimundo César Porto, 42 anos, marido de Maria, fez uma vasectomia (esterilização masculina). Determinado, o casal pesquisou e chegou ao tratamento no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB).

 “A felicidade tomou de conta da gente ao receber um laudo com um ‘sim’ dos médicos, estava dando sentido para tudo aquilo que sonhamos”, relembrou Maria. Pouco tempo depois, veio o resultado tão esperado: estava grávida. “O desejo e vontade em se tornar uma mulher mãe foi maior do que qualquer obstáculo.”

O tratamento inclui uma série de exames específicos, aplicação de injeções e ingestão de medicamentos. O processo dura cerca de quatro meses e começa no período menstrual da mulher. Podem surgir efeitos colaterais, como dor de cabeça, gases intestinais, náuseas, vômitos, inchaço, estresse elevado e muita sensibilidade.

Os medicamentos básicos custam, em média, de R$ 100,00 a R$ 1.400,00 em farmácias privadas. Mas o HMIB disponibiliza gratuitamente. “É tudo absolutamente de graça, pensando naqueles casais que não tem condições de custear todos os remédios e injeções’’, disse a diretora do Serviço de Reprodução Humana do Centro de Ensino e Pesquisa em Reprodução Assistida (Cepra), Rosaly Rulli Costa.

Gratuidade

No Brasil atualmente, há 10 instituições públicas conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) com laboratórios de reprodução assistida. Na capital, o Hospital Materno Infantil (HMIB) é a referência. A fila de espera atualmente 1.122 casais que aguardam pela oportunidade. O tratamento é recomendado para mulheres com menos de 38 anos devido aos efeitos e riscos de aborto espontâneo.

O custo do tratamento na rede pública fica entre R$ 12 mil a R$ 15 mil cada para os cofres públicos. “Um tratamento de reprodução assistida em clínicas particulares pode chegar no valor de R$ 30 mil a R$ 40 mil. Clínicas por todo o país buscam cada vez mais o lucro significativo para tornar o sonho de mulheres algo possível’’, analisou Rosaly Rulli.

Sonho

Em 2010, nasceram os gêmeos bivitelinos (placentas diferentes) Gustavo e Felipe. “Foi como sonhar acordado. Ver brilhar aqueles olhinhos nos trouxe alegria, realização e compreensão de que era preciso passar por todo esse processo. Crescemos, aprendemos e hoje sabemos olhar para trás e ver que tudo foi válido”, disse a mãe.  “Os meninos são parte da minha vida, eles são minha alegria e tudo que eu sempre sonhei. Como mãe, quero sempre o melhor para os meus príncipes.”

Duas décadas de história

Há pouco mais de duas décadas, começou o tratamento de reprodução assistida no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) sob coordenação da médica Rosally Rulli Costa, graduada em medicina pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e com especialização em Fertilização In Vitro pela Università Degli Studi di Milano, na Itália.

 “Graças ao olhar diferenciado de uma secretária que trabalhava conosco que foi possível ter um diálogo cauteloso e humano com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Demos ênfase na importância para o Sistema de Reprodução Assistida.”

Rosally Rully lembrou com carinho do primeiro parto de uma criança que nasceu após o tratamento. “Há 21 anos nasceu nossa primeira bebê. Foi uma emoção gigante saber que podemos oferecer uma perspectiva de construir família. ”

No mundo, o cálculo é que 15% da população seja infértil, de acordo com a especialista. Em mais de 20 anos de atendimento, foram mais de 4 mil atendimentos e quase 400 nascimentos. Dos 1.120 tratamentos, 30% das mães conseguiram dar à luz.  “Considero o resultado positivo quando vejo o bebê já no colo das mãezinhas durante o tratamento são altíssimas as taxas de erro. O sucesso é comemorado quando o bebê está nos braços da mamãe”, disse Rosally Rulli.