LGBTfobia

Sem apoio, a comunidade é alvo de violência e discriminação

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Andressa Gonçalves

Nos últimos meses, a comunidade LGBTQI+ denuncia aumento de ameaças à segurança com casos de violência e ataques conservadores e discriminatórios.  O termo LGBTfobia é associado à homofobia: “ato ou manifestação de ódio ou rejeição a homossexuais, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais”. 

De acordo com o GGB (Grupo Gay da Bahia), em seu relatório sobre mortes violentas a LGBTs, diz que em 2018 ocorreram mais de 420 mortes decorrentes a discriminação. O receio é que esses números aumentem ao longo de 2019. 

Em agosto, duas travestis foram espancadas com pedaços de madeira por dois homens na região do Pistão Sul, em Taguatinga. Até o fechamento desta edição os agressores não haviam sido identificados. No mesmo mês, torcedores do Vasco proferiram agressões homofóbicas contra o time do São Paulo. 

Mesmo depois de o Supremo Tribunal Federal criminalizar a homofobia, a violência ainda é muito presente no cotidiano das pessoas LGBTs, segundo relatos e estatísticas. Pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os LGBTQI+ são 18 milhões de pessoas.

Avalanche 

Desde as eleições de 2018, há uma onda conservadora nas redes sociais e também nas cidades. A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, reuniu-se com psicólogos que afirmam haver tratamento para a “cura gay”. A atitude foi criticada pela comunidade LGTQI+.

O presidente Jair Bolsonaro nega ser preconceituoso, mas na campanha eleitoral, criticou o que chamou de “Kit Gay” nas escolas. Em uma transmissão ao vivo no mês de agosto, ele condenou o patrocínio público na produção de filmes cuja temática é LGBT e sexualidade.

Recentemente o governo federal extinguiu seis comitês, incluindo o de Gênero e Diversidade e Inclusão. Apoiadores do governo também usam as redes sociais para manifestações de ódio e discriminação.

 A falta de apoio à comunidade LGBTQI+ afeta diretamente a saúde mental, segundo Felipe Baére, psicólogo clínico e doutorando em Psicologia Clínica e Cultura (UNB).

“É muito comum que jovens sexo-gênero-diversos vivenciem sensações de desamparo e de desesperança, acreditando que nunca conseguirão sair dessa situação”, afirmou Baeré. “Observa-se a maior prevalência de casos de crises de ansiedade e estados depressivos entre os sujeitos não-heterossexuais e sujeitos trans.”

Desafios  

Fernanda Sousa, de 21 anos, estudante de Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB), reclama de falta de apoio da família. “Foi uma situação bem complicada e traumática. Meus pais descobriram por meio de mensagens por meio de uma mídia social. Foi bem ruim. Eles descobriram e não ouviram da minha boca.”

Maria Cecília Costa, de 21 anos, estudante de Museologia, viveu situação bem diferente. “Parte da minha família sabe, outra ainda finge que não. Minha mãe ficou emocionada. Ela disse que não tinha que aceitar nada, eu sou do jeito que sou e ela me ama e me respeita independente de tudo. Apesar do amor dela, ser LGBT é sempre estar saindo do armário.”

O desafio maior, para muitos, é na hora de buscar emprego. Não revelar sua condição sexual foi a alternativa de Bernardo, homem trans, estudante de Comunicação Social da Universidade Católica de Brasília (UCB). Ele adotou mecanismos de autopreservação para garantir a concorrência nas disputas por vagas de emprego.

“Nunca contei para os entrevistadores que era trans, sempre trabalhei com meu nome de registro, justamente por medo de ser rejeitado ou mesmo sendo contratado, sofrer preconceito”, disse Bernardo. 

Esperança 

Determinado a mudar o cenário pelo no Distrito Federal, Marcos Tavares fundou o projeto Casa Rosa, que oferece serviços profissionais de psicologia e de direito, aberto para as pessoas expulsas de casa por causa da orientação sexual com direito a ter onde dormir e alimentação.

“Queremos apresentar para essas pessoas uma motivação de continuar a vida, muitas delas ainda não têm uma formação e aqui pode ser um espaço para se especializar em alguma coisa”, disse Marcos. 

Sem apoio governamental, a Casa Rosa promove ações para angariar recursos. Em 18 de agosto, houve uma feijoada com música e bingo. Marcos evitou debates políticos. “Eu não estou nem aí para o governo, não modifica minha vontade de ajudar o outro, não altera quem eu sou.” 

SERVIÇO:

CASA ROSA