Enem abre portas

Nota pode ser utilizada em 41 instituições de Portugal, 4 no Reino Unido e 1 nos EUA

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Amanda Freitas

Em março de 2014, a legislação portuguesa foi alterada em favor dos estudantes brasileiros. A partir da mudança, eles passaram a ter condições de aprovação direta no Ensino Superior português por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Há oportunidades em 41 instituições portuguesas e mais quatro entre Reino Unido e Estados Unidos. 

Estudante do Instituto Politécnico Leiria, Paula Serrano cursa Ciências da Nutrição e conseguiu entrar na Universidade por intermédio do Enem. Obteve ajuda da EduPortugal, empresa com sede em Lisboa que auxilia brasileiros interessados em fazer um curso superior no país. 

Experiência 

Desirée Galvão é uma das 1,2 mil brasileiras que ingressaram nas universidades portuguesas pelo Enem. A estudante de economia da UP (Universidade do Porto) e pós-graduada em Jornalismo teve seu primeiro contato com a instituição em 2014 com um intercâmbio.

 “Eu sempre quis ser jornalista de economia. Fiz o Enem e esperei a nota sair. Achei mais barato, prático e confortável estudar um outro curso na Europa do que fazer um mestrado ou o mesmo que faço aqui, mas em São Paulo.” 

De acordo com a estudante, a única nota do Enem utilizada foi a de Matemática e suas Tecnologias, que valeu cerca de 70% da nota para o curso de economia. A instituição faz o cálculo da média de todas as disciplinas do Ensino Médio, que valem aproximadamente 30% da avaliação. No caso da Universidade de Porto, cada área tem o seu próprio edital. 

Despesas 

Para Paula Serrano , estudar em Portugal e viver no país, são um desafio diário. A estudante brasileira teve que pagar algumas taxas, como candidatura, matrícula e serviços prestados pela empresa, além da mensalidade que chega a 400 euros. Apesar da universidade em que estuda ser pública, ela paga um valor mensal maior, pelo fato de ser estudante estrangeira. “É uma oportunidade para o estudante brasileiro ter acesso à universidade em Portugal, com o objetivo de desenvolver o aprendizado. Vivenciando novas culturas e podendo possibilitar o desenvolvimento para o próprio país, Brasil, para os estudantes que desejam retornar e exercer a profissão e para os que desejam ficar e contribuir para o crescimento da economia de Portugal”, afirmou. 

Desirée Galvão, que faz Economia na Universidade do Porto (UP), disse que há uma série de gastos. “Paguei 100 euros na inscrição do processo seletivo. O visto foi cerca de R$ 300, e mais 1,5 mil euros por ano na Faculdade de Economia do Porto, divididos em dez vezes. Todos os brasileiros pagam metade do custo do curso, que seriam 3 mil euros, mas pagamos 1,5 mil”, afirmou. Desirée também menciona a burocracia para estudar fora do país, como o envio do histórico escolar, certificado de conclusão do ensino médio, comprovante de residência, passaporte, entre outros.

Investimento 

Desirée disse que na cidade do Porto há qualidade vida, o que exige investimentos em transportes, segurança e estrutura para os estudos. “No primeiro ano a rotina foi bem pesada. As terças feiras são livres, mas eu usava isso para ter aulas de reforço de matemática. As aulas presenciais exigem muito preparo extra classe”, afirmou a estudante. Desirée acrescentou que a experiência é única. “Pela oportunidade que o Enem oferece, pelo baixo custo da universidade, que chega a ser o valor de apenas uma mensalidade em São Paulo, por exemplo. Por estar na Europa e, com isso, poder expandir meus contatos profissionais. Após quase um ano, sinto que estou adaptada e feliz. Não há outro lugar que eu gostaria de estar mais do que aqui.”

Em março de 2014, a legislação portuguesa foi alterada em favor dos estudantes brasileiros. A partir da mudança, eles passaram a ter condições de aprovação direta no Ensino Superior português por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Há oportunidades em 41 instituições portuguesas e mais quatro entre Reino Unido e Estados Unidos.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informou que o objetivo é permitir acesso às informações do desempenho dos estudantes no Enem, para fins de seleção nas IES (Instituições de Ensino Superior) portuguesas. As notas do Enem têm outro peso fora do Brasil – decisão definida por cada instituição. 

Os valores anuais chegam a variar entre 1500 e 8 mil euros, dependendo da instituição e do curso. Algumas universidades podem dar descontos na mensalidade, porém na maioria não há bolsas de estudos. Portanto, pode ser um alto custo para quem não possui condições financeiras de sair do país para conseguir um diploma internacional. 

De 2014 até 2019, houve um crescimento mútuo nesse vínculo entre o Inep e as IES de Portugal, segundo dados obtidos pelo Artefato. Mais informações podem ser obtidas online, via Inep – Enem em Portugal: http://portal.inep.gov.br/web/guest/enem/enem-portugal

Mais universidades estrangeiras aceitam alunos via Enem Além de Portugal, outros países com instituições que aceitam a nota do Enem, como as universidades de Oxford, Kingston e Bristol, no Reino Unido. Entretanto, podem exigir outros critérios para seleção, como vestibular local e outros pré-requisitos. A França também aceita a nota do exame. Para ingressar, a maioria das universidades exige que o aluno tenha sido aprovado antes no Brasil, no mesmo curso que se candidatou para o país europeu. O Enem também é aceito na New York University, nos Estados Unidos, que criou a Test Flex Policy, programa que aceita exames de outras nacionalidades.