Democracia cultural

Setor Comercial Sul reúne programação para todos os estilos e idades

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Gabriela Fonseca

Pessoas dos mais diversos estilos, gêneros, idades e etnias passam, diariamente, pelo Setor Comercial Sul (SCS) seja para trabalhar ou simplesmente ir a algum lugar específico ou mesmo para pegar um transporte. Adultos, jovens e por vezes crianças que com a rotina não percebem que ali tem mais do que obrigações a cumprir.

Planejada nos anos de 1950, Brasília aos poucos traça novas formas de aproveitar os espaços por meio da cultura, do esporte e da preservação ambiental. Mudanças que vão além das opções culturais, mas apresentando novas oportunidades e transformações no modo de viver. 

O projeto começou com o sonho de três amigos e, aos poucos, cresceu, afetando também a vida de pessoas em situação de rua e dos trabalhadores informais que atuam na região. Há opções contínuas e gratuitas para todos, desde o city tour pelo centro da capital federal a eventos de músicas eletrônica, aulas de dança afro, exposições em museus, além de futebol e horta comunitária.

Transformação social

Engraxate do Setor Comercial Sul, Francisco Lima, 53 anos, disse que a divulgação dos eventos é constante, mas a rotina de trabalho dificulta o acesso. “Os meninos que organizam sempre divulgam, mas eu nunca fui. Estou sempre trabalhando”.

Fundador do coletivo “No Setor”, Caio Dutra disse que as atividades no SCS promoveram a redução da criminalidade. “Em 2015, foram 8 homicídios no Setor Comercial Sul e, em 2017, não houve nenhum. Os índices de furto e assalto também diminuíram drasticamente”.

O secretário de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, Adão Cândido, reconheceu que as mudanças são visíveis. “Os impactos positivos das atividades refletem na reversão de índices de violência em virtude da taxa de empregabilidade e geração de renda, e ainda na modificação do espaço físico”.

Ação coletiva

A parceria dos amigos Caio Dutra, Felipe Velloso e Ian Viana deu vida ao coletivo. “A nossa ideia era exatamente fazer com que as pessoas frequentassem por outros motivos que não fosse o trabalho, para fazer com que elas viessem para cá em dias e horários alternativos”, disse Dutra.

Ian Viana, também fundador do coletivo No Setor, brincou: “Aqui é uma Atenas Tropical”. “É a política realmente voltada para o cotidiano. Por isso, estamos sempre em contato com o dono de shopping até o morador de rua”. 

O exemplo, segundo Viana, é o ex-morador de rua, José Salustiano que, desde outubro do ano passado tornou-se bike boy do coletivo. Atualmente José trabalha em busca de autorizações nos órgãos públicos para os projetos do setor e, assim, consegue pagar seu aluguel.

Trabalhando há dois anos e meio como camelô na região, Manuela Durães, 36 anos, disse que acompanha a programação cultural por meio do jornal distribuído mensalmente, o Jararaca. Ela integra o projeto fotográfico no Setor Comercial Sul. “A ideia foi trazer mais auto estima para quem trabalha aqui porque fazemos parte desse lugar”, disse Durães, posando para a foto com orgulho. 

Impactos

    Para os produtores culturais, a oportunidade também gera mais qualidade de vida para quem vive na região. Os eventos feitos pelo coletivo empregam cerca de 30% dos moradores. Segundo Cândido, a renda média das atividades culturais é de R$ 2,5 mil por mês e é responsável por 3% do PIB do DF. Anualmente, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF informou que conta com R$ 100 milhões para investir em atividades culturais.

O coletivo desenvolve o SCS Tour, um passeio guiado que mostra toda a dinâmica e os principais espaços do local. Há, ainda, projetos que movimentam a região, como o futebol dos moradores, o manejo das hortas comunitárias. “Em vez de fazer um briefing para criar uma campanha, eu percebi que podia ler uma história de verdade e criar uma obra e o suporte disso tudo seria o corpo”, disse a artista plástica Luana Cavalcante.

IMG_9824.JPG O que você pode encontrar:

  • Café Hug Hub: programação cultural diária com músicos convidados.

Endereço: SCS, Quadra 1, Ed. Ceará.

Horário de funcionamento: Quarta a Sábado, de 15h às 00h.

Entrada franca. Opções do cardápio variam entre R$ 3,00 a R$ 30,00 em média.

  • Sesc Presidente Dutra: são oferecidas aulas de dança afro, sessões de cinema às segundas e terças, exposições e outras programações durante o mês na sala de teatro Sílvio Barbato.

Endereço: SCS, Quadra 2, Ed. Presidente Dutra.

Horário de funcionamento: Segunda à sexta, de 6h às 18h.

Entrada franca.

  • Beco Niemeyer: eventos de música eletrônica nos fins de semana. Durante o carnaval, o bloco Setor Carnavalesco Sul também se concentra no local.

Endereço: SCS, Quadra 2, próximo ao Ed. Oscar Niemeyer.

Horário de funcionamento: consulte a programação.

Entrada franca; alguns eventos disponibilizam o 1º lote gratuitamente.

  • Canteiro Central: casa noturna que reúne artistas locais. Mensalmente, acontece o Samba Urgente, a segunda maior roda de samba do Brasil.

Endereço: SCS, Quadra 3, bloco A.

Horário de funcionamento: Terça, de 19h às 23h30; Quarta à Domingo, de 21h às 02h.

Ingressos podem variar entre R$ 10,00 e R$ 30,00.

  • Museu dos Correios: exposição permanente sobre a telecomunicação no Brasil. Outras galerias do museu recebem exposições durante todo o ano. Em Setembro, serão oferecidas aulas de yoga para a comunidade.

Endereço: SCS, Quadra 4, Ed. Apollo.

Horário de funcionamento: Terça a Sexta, de 10h às 19h; Sábados e Domingos, de 14h às 18h.

Entrada franca.

  • Casa da Cultura da América Latina: Três galerias de arte realizam exposições durante todo o ano. Outros eventos também são realizados, confira a programação.

Endereço: SCS, Quadra 4, Ed. Anápolis.

Horário de funcionamento: Segunda à Sexta, de 07h30 às 19h30.

Entrada franca.

  • Beco da CAL: Festas nos fins de semana, como a Sintra FM, Limbo e o Beco Elétrico.

Endereço: SCS, Quadra 4.

Horário de funcionamento: Fins de semana e feriados. Consulte a programação do evento.

Entrada franca.