Atenção, o perigo está nas ruas

Na tentativa de reduzir as estatísticas, mulheres se resguardam com aplicativos específicos

Laryssa Passos

O sentimento de insegurança toma conta das mulheres no Distrito Federal. Os aplicativos se tornaram cada vez mais presentes no cotidiano feminino, como o Uber, 99Pop e Cabify. E há os destinados só para elas. É uma forma de buscar mais segurança. São veículos dirigidos por mulheres e para mulheres. O desafio é dar mais condições de proteção para usuárias e motoristas.

A Polícia Civil informou que o primeiro trimestre de 2018 foi marcado por altos índices de feminicídio no Distrito Federal.

Houve um aumento de 8% nos casos de feminicídio, comparado ao mesmo período de 2017 – violência que atinge principalmente mulheres de 18 a 35 anos. Em 2017, uma adolescente, de 16 anos, foi agredida no Guará II, e uma jovem, de 18, estuprada em Taguatinga.

Experiências

Estudante de arquitetura, Rebeca Macêdo Nery, 20 anos, trabalhou um mês e meio no aplicativo Uber e disse que foi uma experiência positiva. “Nunca sofri assédio. Mas uma vez fui surpreendida por um passageiro que ofereceu dinheiro para dirigir o seu carro até a casa dele. Já aceitei corridas com passageiros bêbados, que me deu muita insegurança.”

O aplicativo de táxi Femitaxi chama a atenção. Lançado em 2016, reúne motoristas e passageiras mulheres. O app também oferece uma função para o transporte de crianças, facilitando a vida dos pais que também podem monitorar o serviço via câmera de celular da taxista.

Com um histórico de motoristas homens que se enganaram com o caminho e demoraram demais no trajeto, Maria Alcimar B. T. Aguiar, 40 anos, funcionária pública prefere os aplicativos específicos para mulheres. “Em todos os casos eu relatei ao aplicativo e valor foi ajustado ao que deveria ser cobrado.”

Recém-formada em Relações Internacionais, Anna Carolina dos Santos, de 23 anos contou que sempre foi bem tratada dos aplicativos, embora tenha vivido momentos de tensão. “Estive com motoristas que tinham a direção perigosa e alguns que não estavam dispostos a tratar bem os clientes. Mas foram só duas vezes, as outras vezes consegui chegar em casa com segurança.”

Pânico

A empresa Uber informa que tem mais de 20 milhões de clientes e 500 mil motoristas no país. Recentemente, foi lançado o “botão do pânico”, a nova ideia oferece opções de segurança: compartilhar a localização atual com amigos, entrar em contato com a polícia e acessar a central de segurança do próprio serviço. O botão de segurança por enquanto só está disponível para passageiros, mas a empresa promete que logo mais estará disponível para os motoristas.

A insegurança também atinge os homens. Rodrigo Diego, 33 anos, que é motorista do aplicativo 99Pop, teve o celular roubado enquanto trabalhava. “Um homem entrou pela porta de trás com uma faca e o outro ficou em pé apontando uma arma para mim. Pensei em dar ré e fugir, mas não tinha como. Eles levaram apenas meu celular de trabalho porque não acharam dinheiro. Agradeci a Deus.”