Ei, para, olha o sinal

Transporte público no DF é um do mais deficitários do país, GDF rebate

Marcus Castro

Moradora do Setor O da Ceilândia, Letícia de Sousa, estudante de biblioteconomia na Universidade de Brasília (UnB), acorda às 5h todos os dias para conseguir chegar a tempo na Rodoviária do Plano Piloto e pegar um ônibus que passe na universidade. A rotina dela não é diferente da maioria dos brasilienses que dependem de transporte público no Distrito Federal.

“Demoro de 1h30 a 2h para chegar na aula se eu pegar ônibus e metro, quando vou direto de ônibus já demorei de 3h a 5h. Eu sempre chego atrasada”, desabafou a universitária.

Em 2018, o instituto norte-americano Expert Market, fez um levantamento em 74 dos principais centros urbanos do mundo e avaliou que o transporte público brasiliense está entre os 10 sistemas mais deficitários perdendo apenas para o Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador no Brasil.

O estudo considerou a espera da condução, duração da viagem e custo mensal do transporte de acordo com o salário médio da população.

Segundo a pesquisa, o tempo médio de esperado do ônibus ou metrô é de 28 minutos e as passagens consomem, em média, 5,77% da renda mensal do passageiro. A Secretaria de Mobilidade do Distrito Federal discordou da pesquisa alegando que ela foi imprecisa para a capital.

“A pesquisa [nem] sequer leva em consideração elementos importantes e fundamentais para se avaliar um Sistema de Transporte Público de uma região, como por exemplo, a densidade demográfica de cada localidade, o processo de urbanização das cidades, a qualidade da frota, entre outras.”

Segundo a secretaria, em Brasília há grandes distâncias entre as regiões administrativas e o centro. Informa ainda que a pesquisa não leva em conta o processo de integração dos transportes que possibilitam mais agilidade para locomoção no DF e entorno.

Alternativas

Estudo feito em nove capitais pela Associação Nacional da Empresas de Transporte Urbano (NTU) revelou que, no ano passado, houve a redução média de 9,6% de passageiros nos transportes públicos. Isso significa que 3,6 milhões de brasileiros desistiram de usar o sistema.

Para driblar esse problema de mobilidade, a população busca outras formas de se locomover dentro da cidade. Uber, táxi e bicicletas são as principais escolhas atualmente.

As bicicletas estão sendo bem requisitadas por serem práticas, saudáveis não poluentes. Em 2015, uma pesquisa da Associação Transporte Ativo indicou que 82% dos ciclistas brasilienses utilizam o transporte para trabalhar e 77% para a faculdade/escola.  

Estudante, Ana Julia Gomes, 16, é uma das pessoas que fizeram a troca. Ela abandonou de vez os ônibus e usa a bicicleta como forma de condução.

“É prático, não pego trânsito, sempre chego rápido e é saudável. É muito menos estressante que pegar um ônibus. Só precisa tomar cuidado com as pistas”

Uber é também uma alternativa à acessibilidade. O aplicativo de celular que chegou no Brasil em 2014 já está em mais de 100 cidades no país e tem quase 500 mil motoristas parceiros.

Morador da Ceilândia Norte Matheus Henrique Leite da Silva, estudante, é um cliente constante: sai de casa com o celular preparado para entrar no aplicativo e contratar uma viagem com comodidade e rapidez, segundo relatou.

“Quando você pede ele chega rápido, você vai sentado, no ar condicionado. Não é um transporte precário. Há viagens que são longas e saem a um preço em conta, ainda mais, se você dividir com seus amigos. ”