Dono e chefe ao mesmo tempo

Mais de 316,2 mil brasilienses realizaram o sonho de montar o próprio negócio

Eugênia Martins

Nos últimos anos, 316.298 brasilienses decidiram ser chefes deles próprios. No Brasil, 12 milhões de pessoas devem se tornar microempreendedores individuais até 2019, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A maioria tem acima de 35 anos e menos de 65.

Professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) Igor Gomes, especialista em Gestão de Pessoas, especialista em Inovação e Competitividade pela University of Miami, mestre em Marketing pelo Emerson College (Estados Unidos), disse ao Artefato que não basta desejar abrir um negócio, é preciso ter conhecimento e preparar-se.

“[É necessário] realizar uma pesquisa de mercado para mapear as oportunidades e preparar-se adequadamente. O empreendedor deve focar em algo que ele tenha paixão ou experiência profissional. Se o negócio for viável financeiramente, é um bom indício de que poderá obter sucesso”, ensinou.

Números

Dados do Sebrae e estudos de Igor Gomes mostram que 33,2% dos investidores individuais têm de 35 a 45 anos. Os adultos com idade de 45 a 55 anos representam 25,03% e que têm  de 25 a 35 anos equivalem a 19,65%. Os demais se dividem entre adultos acima de 55 anos (13,87%) e com menos de 25 anos (4,23%). Os idosos com mais de 65 anos representam 4,22% dos investidores individuais.

O mesmo levantamento indica ainda que a maioria de 56,83% optou por abrir negócios na área de serviços, outros 30,19% escolheram aplicar o dinheiro no comércio e apenas 5,8% na construção civil e indústria.

Diferenças

Há diferenças no enquadramento empresarial, conforme o tamanho da empresa e dos rendimentos anuais. Andréia Ramos Pinto, dona de uma loja de presentes no Guará, escolheu ser enquadrada como empresário individual (MEI). “Eu precisava trabalhar, não podia sair e deixar minhas filhas sozinhas em casa, então montei meu negócio em casa mesmo”.

Andréia começou com vendas para os amigos até montar a loja física. Atualmente ela conta que tem uma boa renda. Apesar do receio se daria certo, ela foi adiante e diz ter sido a melhor opção para sua vida. “Não precisei fazer empréstimo. O que foi difícil foram as documentações, abrir a loja legalmente e contratar funcionários”.

Além do MEI, existe também a Sociedade Limitada (LTDA). Essas empresas têm o capital dividido por quotas, e cada sócio tem uma parte da empresa. Quanto maior a quota, maior é a influência de cada sócio.

FT 005
(Foto: Geovanna Soares)

Exemplo

Venâncio Henrique da Silva se uniu a Guilherme Alves e Guilherme Borges e o investidor Higour Brendon, os quatro se tornaram sócios, e trabalham com a venda de vaporizadores, também conhecidos como “vape” – produtos do segmento de tabacaria voltados para o público adulto.  

Após se encantar com o “vape”, Venâncio chamou os amigos pensando em transformar o produto em negócio. O grupo fez os cálculos de investimentos, possibilidades de lucro e perspectivas. Foi aí que os quatro decidiram abrir o próprio negócio.

Chamei meus amigos de confiança, apresentei a proposta, conversamos por umas duas semanas, analisando o mercado e iniciamos nossos atendimentos no final de fevereiro”, afirmou Venâncio. “A potencialidade de crescimento no empreendimento é, sem dúvidas, maior do que a de crescimento dentro de grandes empresas. ”

O grupo trabalha a semana inteira, menos domingo, com atendimento presencial e virtual. Os sócios se dividem entre atendimento via Whatsapp, entregas e questões relativas à administração, tesouraria, estoque e parcerias. A rotina é exaustiva, reconheceu Venâncio, mas válida. “É outra visão de trabalho. Ter o próprio negócio é gratificante. ”