A sociedade em reflexão

Leopoldo Gomes Costa

O primeiro turno das eleições se aproxima – 7 de outubro. Se houver segundo turno, será em 28 de outubro. As jornadas de junho de 2013 levaram às ruas uma parcela jovem da população, que se dizia cansada da velha política. Hoje assistimos às candidaturas dessas forças, propondo alternativas na forma de governar. É visível uma busca por mudanças em ambos os lados. Mas será que estamos vendo uma transformação ou estão utilizando o momento para benefício próprio?

A cientista política Juliana Góes disse que o real impacto das jornadas de 2013 ainda não é muito claro, mas existe muita pesquisa na área. “As elites que controlam a comunicação brasileira acabam atrapalhando o processo, pois elas definem o que pode ou não ser noticiado para a população”.

Na divulgação das candidaturas, encontramos pessoas de diversos perfis. Temos supostos outsiders, vendendo a imagem de “não-políticos” e usando seus polpudos capitais como justificativa para não terem de surrupiar o dinheiro do povo. A mesma estratégia foi usada por Fernando Collor em 1989.

O discurso de quem acaba de entrar na disputa é mudar o que está aí. A estratégia é comum: Acabaram de se matricular no jogo político, logo, querem o espaço de quem já está no poder. Entretanto, é recomendável desconfiar dos possíveis  aproveitadores, já que, por almejarem esse espaço, podem utilizar quaisquer argumentos.

Com a internet, nos reunimos em grupos de pensamentos semelhantes, entrando em uma bolha, acreditando que nossas opiniões são o mais puro símbolo da verdade, e abominando o oposto. Julgamos o diferente, atribuímos rótulos. Nos indignamos quando somos os alvos dessas mesmas suposições. Arranjamos inimigos.  “As bolhas, em um lado positivo, colaboraram para essa mudança na imprensa. Mas temos que tomar cuidado com o lado negativo, que é a divulgação de mentiras pela rede, a desinformação”, afirmou Juliana Góes.

Para ela, o povo brasileiro é visto como “apático” desde cedo, mas  essa construção não é real. “Se você for olhar na história que a gente tem, da resistência dos movimentos sociais, é uma história gigantesca. Em 2013 houve uma tentativa, no início, de taxar as mobilizações como atos de vandalismo, como já ocorria na maior parte das manifestações. A mídia foi pressionada a mudar seu discurso, o que gerou mais publicidade para as ideias que se seguiram”.

Mesmo que tenhamos no poder um presidente com altíssimas taxas de rejeição, não espere tranquilidade com os resultados da próxima eleição. Seja qual for o eleito, uma união nacional será complicada. Estamos nos tornando mais críticos, ou mais concentrados em nos reunir com nossos iguais? Precisamos manter a calma para os dias que virão.