Muito além da dança

Busca Fé, a junina evangélica, reúne passagens bíblicas e cultura popular

Matheus Dantas

Símbolo de alegria e animação, as quadrilhas juninas são o ponto alto das noites de São João. Muita vezes associadas ao catolicismo em decorrência de festas que vinculam a motivos religiosos católicos, como São Pedro, Santo Antônio e São João. Criada há 13 anos, a junina Busca Fé, é a primeira quadrilha evangélica do Brasil.

Idealizada pelos pastores Edivaldo César e Bruno Anderson, o grupo surgiu a partir da proposta de levar entretenimento para a igreja na época dos festejos. No entanto eles perceberam que deveriam quebrar paradigmas e, assim o que nasceu para ser apenas uma atividade de diversão virou muito mais.

“Mas vimos que aquele momento de alegria sobre os olhos de muitas outras famílias que nos assistiam, poderia se transformar em uma possibilidade de alcançarmos vidas e irmos além, levando os ensinamentos deixados na Bíblia para os arraiás. Não pregando uma religião, mas sim o amor e a compaixão com o próximo que jesus nos ensinou”, disse o idealizador Edivaldo César.

Mensagens

Para transmitir mensagens de paz, esperança e amor, a Busca Fé virou referência nas quadrilhas juninas ao evangelizar, mesclar orações e passagens bíblicas com música e danças. Iniciativa esta, que mudou a vida dos dançarinos Diones Cavalcante, Walisson e Krika, entre tantos outros que hoje compõem o grupo.

“Meu primeiro contato com a Busca Fé foi em 2012, quando eles [os integrantes da quadrilha] fizeram uma visita no ensaio e conversaram com a gente, oraram, falaram um pouco sobre Deus”, contou Diones Cavalcante, um dos quadrilheiros.

Para Diones, a Busca Fé tem uma aura especial. “O que mais me chamou atenção foi a alegria e o amor que tinham por levar a ‘palavra’. Eu fiquei tão apaixonado, impactado e instigado a querer aprender mais sobre Jesus, que eu passei a frequentar a igreja e me converti. Graças a Busca Fé, contínuo inserido no meio junino, com uma nova visão, novos valores e levando uma mensagem na qual um dia mudou minha vida.”

Mudanças

Walisson Mota se emociona ao falar da Busca Fé. A junina é mais do que uma quadrilha, a a partir do que aprendeu e viveu no grupo, mudou completamente de vida. Segundo o promotor de vendas, foi submetido a “tratamento”: entrou para igreja, recuperou o casamento e foi batizado ao lado da mulher. “Agora temos uma família.”

“Nessa época os festejos juninos estavam para começar e eu e a Krika [mulher], não estávamos bem: eu bebia, usava drogas e estava com meu casamento muito abalado. Foi a partir daí que o pastor Bruno [um dos idealizadores da Busca Fé]  começou a me aconselhar e evangelizar”, afirmou Walisson.

Da produção da Busca Fé, Ana Cristina Pereira que está desde o começo no grupo, não esconde o entusiasmo ao falar da Busca Fé. “A Busca Fé surgiu com o propósito de levar a palavra de Deus para o movimento junino por meio da dança, com histórias da Bíblia com cultura popular para inserir nas coreografias e temáticas”, disse.

A produtora é outra entusiasta do projeto. “Nossa maior ação social é falar sobre o amor de Deus, poder dar um abraço nessa pessoa e dar carinho, atenção, fazer ela se sentir especial, e mostrar para ela que existem sim pessoas que a amam, e não há recompensa maior do que ver uma pessoa aceitando jesus, querendo saber mais sobre o que estamos falando.”

O presidente da quadrilha Pau Melado, Hamilton Tatu, disse que a Busca Fé é uma inspiração para todas as quadrilhas do Distrito Federal. “A mensagem que a Busca Fé traz especialmente no final de sua apresentação é uma mensagem muito boa. Ela consegue comover e tocar em quem está assistindo, seja no pai ou na mãe de família, no filho, e até mesmo em uma pessoa que conhece muito pouco sobre Jesus. Eles conseguiram marcar cada quadrilheiro de Brasília.”

Planos para 2018

Para 2018, a junina Busca Fé, de Taguatinga, apresenta o espetáculo Bem Querer em que  conta a estória de um sertanejo de muita fé e amor que embarca em uma viagem em busca de virtudes preciosas, como  compaixão e esperança. Os personagens centrais são Zé e Sara. “Zé e Sara.

O casal de noivos se uniu sob a bênção de Deus, há ainda um misterioso amigo, o marcador, que se torna cúmplice dos dois, conduzindo-os a este caminho de poesias e verdades da vida até o seu destino final”, explica Bruno Anderson, presidente e marcador da junina.