Ledor, texto e ouvinte: história com final feliz

Voluntários auxiliam deficientes visuais para cursinho e pré-vestibular

Gabriela Anacleto

Com cerca de 1500 mil livros em braile e 750 audiolivros, ministrados por professores treinados no Instituto Benjamin Constant que fica no Rio de Janeiro, a Biblioteca Braille Elmo Luz, no Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais- CEEDV, na Asa Sul, é referência no Distrito Federal. O Clube do Ledor é um dos projetos da biblioteca.

Inaugurada em 1992, a biblioteca leva o nome do idealizador, que queria ver os deficientes visuais inseridos na sociedade como um simples cidadão, que trabalha, estuda, viaja e realiza seus sonhos. No local, há uma estrutura organizada para os deficientes visuais com notebooks e celulares, além de máquina de braille e papel de braille.

Sonhos

O clube de leitura que funciona dentro do único colégio para deficiente visuais do DF, recebe desde recém-nascidos a idosos, como é o caso da Viviane dos Santos Almeida Queiroz, que chegou à instituição ainda bebê e desde criança participa do projeto Clube do Ledor.

Viviane perdeu a visão logo que nasceu, com seis meses de vida, e desde a descoberta da deficiência foi acolhida no projeto, e agora com 21 anos está cheia de sonhos para realizar. Após muitas lutas, teve que enfrentar outro obstáculo próximo ao período de vestibular, uma cirurgia nos olhos.

“Fiquei descrente, fiz muitas perguntas pra Deus e até cheguei a pensar que eu não merecia entrar na universidade”, afirmou a estudante que passou no vestibular e cursa Letras Inglês na Universidade de Brasília (UnB). “Eu gosto da saga Crepúsculo, e também de séries em inglês, eu não sei dizer, mas gosto muito da língua inglesa, quero muito estudar na Inglaterra, e quem sabe morar lá um dia.”

Mesmo com tantos cortes, o clube do ledor continua dando asas aos sonhos dos seus alunos, como é o caso do Geovane Alziro que participa do clube desde criança. “Quando a gente era criança, na minha turma tinha um voluntário que gostava muito de ler histórias infantis”, explicou o jovem, que na adolescência continuou participando. “Eu precisei de uns voluntários para estudar inglês e concurso público”.

Hoje Geovane cursa Psicologia no Centro Universitário do Distrito federal (UDF), e está no 8º semestre, pois acredita que assim pode ajudar o próximo. “Eu sempre tive vontade de realizar algo bom para as pessoas, e contribuir para o bem estar, a psicologia me proporciona isso”, afirmou o estudante.

Determinação

Sonhos e determinação que fazem o Clube do Ledor seguir adiante, recentemente o governo federal cortou investimentos na Fundação Dorina Nowill e o Instituto Benjamin Constant, que são responsáveis pela distribuição do material usado pelos alunos.

A biblioteca Elmo Luz atende deficientes visuais e com baixa visão, que precisam fazer trabalhos da faculdade e estudar para o pré-vestibular, com auxílio dos voluntários. E seguem todo um ritual, é preciso agendar o horário de acordo com a necessidade do aluno, ter boa leitura e não pode ler rápido, a biblioteca possui cabines de leitura, para assim ter mais privacidade e aproveitamento do estudo.

Para ser voluntário

Os voluntários podem atuar desde entrem em contato com o Clube do Ledor e agendar o dia e horário.

Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais- CEEDV

EndereçoSGAS II Quadra 612 Sul – Asa Sul, Brasília – DF, 70200-000

Telefone(61) 3901-7607

Imagem: Burst