Fazendo a diferença

Oficinas e cursos profissionalizantes mudam a vida de pessoas com deficiência

Francyellen Magalhães

 

Sorridente e falante, Kleislane de Souza, 16 anos, faz o curso de confeitaria na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Nem de longe faz lembrar a jovem introvertida e de baixa auto-estima do passado. “Tenho vontade de ir para o mercado de trabalho, ganhar meu próprio dinheiro para ajudar minha família”, disse a estudante, uma das 730 alunas da Apae no Distrito Federal.

No curso de panificação, Ana Noaly,  17 anos, é destaque e conta que foram as aulas que a permitiram voltar a sonhar e fazer planos. O objetivo dela é trabalhar como autônoma e produzir mercadorias próprias para comercialização. Já Nayra Francisco, 15 anos, que faz o curso de salgaderia disse que sua maior vontade é se inserir no mercado de trabalho e conquistar a independência financeira. 

 Essas são algumas histórias cotidianas da Apae-DF, em funcionamento há quase 54 anossem fins lucrativos, é destinada a pessoas com deficiências acima dos 14 anosA organização tem unidades no Plano Piloto, Ceilândia, Sobradinho e Guará, que oferecem educação profissional, oportunidades de inserção e acompanhamento no trabalho e o atendimento, além de projetos de arte, esporte, cultura e lazer. 

Inclusão

coordenadora pedagógica da ApaeIris Lima, afirmou que a meta das atividades é garantir a inclusão profissional de pessoas com deficiência intelectual e múltipla.“Buscamos primeiro trabalhar as habilidades básicas, para depois indicarmos eles para o mercado de trabalho, contribuir com o aprendizado e a inserção deles com certeza é o mais gratificante.

Contribuições sócios, doações diretas da comunidade, arrecadações do serviço de telemarketing, realização de campanhas e eventos, comercialização de produtos e prestação de serviços sustentam as atividades dApaeDF.

A entidade também possui convênios com a Secretaria de Educação do Distrito Federal (para a cessão de professores) e com a Secretaria de Desenvolvimento Social (que cobre parte das despesas com aprendizes de baixa renda). 

Parcerias

Há também parcerias específicas com outros órgãos do governo, empresas privadas e organismos internacionais.Alan dos Santos é professor e diz que não participados projetos somente para ensinar, mas para aprender, pois a troca de experiência é motivacional tanto pra ele quanto os alunos.

A metodologia de trabalho desenvolvida desde 1989 pela associação envolve algumas etapas, entre elas a de formação básica para o trabalho, que visa desenvolver nos aprendizes habilidades gerais, como: pontualidade, assiduidade, higiene pessoal, respeito à hierarquia, organização no trabalho, cooperação, cordialidade, respeito ao próximo, noções de direito do trabalhador e de segurança no trabalho.

 Conheça os cursos oferecidos pela Apae-DF.

• Serviços Administrativos;
• Cozinha Industrial;
• Copa;
• Panificação;
• Salgaderia;
• Confeitaria;
• Processamento de Alimentos;
• Artesanato;
• Vendas e Atendimento ao Público;
• Horticultura;
• Produção de Mudas;
• Jardinagem;
• Lavanderia;
• Limpeza
• Cursos de Informática  – no Telecentro Acessível da Sede.

A Instituição Visa garantir ao aprendiz já qualificado as condições para ingresso e permanência no mundo do trabalho. Nesta etapa, o aprendiz é acompanhado pela equipe do SIAP – Serviço de Inserção e Acompanhamento Profissional. Conforme a oferta de vagas existente no mercado, a inserção pode ocorrer em três possíveis modalidades.

emprego competitivo aberto, a pessoa com deficiência já qualificada é inserida com qualquer profissional, sem a necessidade de apoios especiais, exceto o acompanhamento do próprio SIAP.

No emprego competitivo apoiado, os participantes com deficiência que já são qualificados são contratados(individualmente ou em grupo) junto com um profissional orientador, responsável por reforçar os comandos e garantir ritmo ao trabalho.

Já no trabalho autônomo eles passam a trabalhar por conta própria, como trabalhador autônomo, numa empresa caseira ou mesmo numa cooperativa. 

 

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