Intolerância não leva a lugar algum

Ello Romanin

O mundo tem mudado mais nos últimos cinco anos do que nos outros 50 antecedentes… Mas, infelizmente, o preconceito aliado com o discurso de ódio, ainda incentiva fortemente a cultura de violência no nosso país. O conceito pré-concebido é um fenômeno presente desde o surgimento dos primeiros agrupamentos humanos. Até a década de 20, era visto como uma atitude normal frente a grupos sociais “inferiores”.

Nas  décadas de 1940 e 1960, um conjunto importante de mudanças sociais e políticas na Europa e África do Sul – como o surgimento do movimento feminista, por exemplo – fez com que as formas de expressão do preconceito mudassem. Nos anos 2000, novas mobilizações em busca de visibilidade e da conquista de direitos tomaram as ruas.

O Atlas da Violência 2017, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que em cada 100 pessoas assassinadas, 71 são negras. Homens, jovens, negros e de baixa escolaridade são as principais vítimas de mortes violentas no país.

Os índices de violência são altos. Evoluímos em alguns aspectos, enquanto ainda retrocedemos fortemente em outros. Não para por aí e atinge também outros grupos ditos excluídos.

De acordo com a Associação Nacional de Travesti e Transexuais (Antra), em 2017, foram contabilizados 179 assassinatos de travestis ou transexuais, registrando, em média, uma morte a cada 48 horas.

Em seu último levantamento, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos destacou que, a cada três dias, é realizada uma denúncia de intolerância religiosa. No primeiro semestre de 2016, o Disque 100 – canal de denúncias de violações de direitos humanos – registrou 196 queixas desse tipo.

Há, ainda, mais: pelos dados do Relógio da Violência do Instituto Maria da Penha mostram a cada 7,2 segundos, uma mulher é vítima de violência física no Brasil.

É fundamental discutir o tema pois, em geral, todos se auto-intitulam sem preconceitos, mas sempre julgamos algo ou alguém, sem se quer pensar em quais as consequências tais comentários terão na vida do próximo. Devemos reconhecer, à priori, que mesmo de forma inconsciente, tanto podemos exercer o preconceito como podemos estar do lado de quem sofre. Somente isso já é fundamental para minimizar o discurso de ódio.

Não é possível forçar ninguém a gostar de algo que não lhe agrada, mas é essencial, em qualquer sociedade de direitos livres, que qualquer forma de discriminação seja inaceitável. A intolerância nunca levou ninguém a lugar algum.

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