Desrespeito mesmo no ambiente acadêmico

Estudantes se queixam de comentários e olhares na universidade

Luana Pontes, Matheus Dantas e Francyellen Thayanne

O preconceito parte do princípio de predefinições de algo ou alguém, antes mesmo de ter conhecimento sobre o que representa e significa. Tal comportamento gera situações desconfortáveis. Histórias de discriminação cruzam o cotidiano das pessoas, tornam-se freqüentes e, sem reações, são incorporadas ao cotidiano como aceitável. O preconceito existe inclusive nos locais em que a diversidade orbita e deveria ser respeitada. Na Universidade Católica de Brasília (UCB), por exemplo, há diversas  motivações para prática: geográficas, étnicas, financeiras, sexuais, físicas e etárias. O ambiente acadêmico é distinto, mas nem todos têm a dimensão do que isso significa. A estudante de Jornalismo sofreu porque é moradora do Itapoã, a futura publicitária negra cuja mãe é branca é questionada com freqüência se é filha biológica, homens que cursam Nutrição são cobrados a ter um corpo perfeito. É preciso deixar a invisibilidade e soltar a voz contra os abusos que desrespeitam a vida e a essência de todos.

“Moro no Itapoã”

“Eu moro a duas horas de distância da faculdade, no Itapoã. Por isso ouvia muitas piadinhas, sempre na brincadeira, eu também tentava levar no bom humor. Mas algumas vezes a situação era bem chata. Não brigava nem nada do tipo porque não queria discussões, mas é uma situação um pouco desagradável.”

Ana Cláudia, 21 anos, estudante do 6° semestre de jornalismo, da Universidade Católica de Brasília.

“No ambiente acadêmico o preconceito não é escancarado”

“Sempre tem a questão do olhar, de alguém ficar te reparando, encarando, devido a forma que estou vestido, o jeito que eu ando, meu jeito de ser. Porém aqui na Católica nunca passou disso. Percebo que dentro do ambiente acadêmico o preconceito não escancarado, como nas ruas. Isso depende muito do local e do nível social.”

Bruno Neres, 20 anos, estudante do 7° semestre de Publicidade e Propaganda, da Universidade Católica de Brasília.

“O que me chateia é perguntarem se sou adotada”

“O preconceito por causa da cor da minha pele aparece em várias situações. Mas o que me deixa realmente chateada é quando me perguntam se eu sou adotada. Minha mãe é branca e, desde pequena, ouço esse tipo de comentário vindo de pessoas até de dentro da família.”

Luciana Oliveira, 21 anos, estudante do 6° semestre de Publicidade e Propaganda, da Universidade Católica de Brasília.

“Existe o estereótipo do nutricionista forte e sarado”

“O preconceito que nós [homens] sofremos vem mais de dentro do próprio curso de Nutrição do que de fora. Existe um estereótipo de que todo nutricionista precisa ser sarado, forte e ter um corpo bacana. Não pode ser magro demais nem gordo demais. Essa pressão vem de colegas e professores que insistem na fórmula de que o corpo do nutricionista serve como propaganda do seu trabalho”

Asefe Cristino da Silva, 20 anos, estudante do 4° semestre de Nutrição, da Universidade Católica de Brasília.