Tecnologia: os excluídos da Grande Bolha

Em 72º no ranking mundial de inclusão digital, o Brasil tem muito o que conquistar

André Baioff, Gabriela Anacleto e Verônica Holanda

No Brasil, 11,8 milhões de analfabetos se encontram longe da barganha digital de um total de pouco mais de 200 milhões de habitantes, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Estes sem acesso à internet são pessoas alijadas da tecnologia, em geral, desfavorecidas economicamente e muitas vezes, com dificuldades físicas, motoras e etárias. Ainda assim o Brasil, 5º maior país do mundo em território, abriga diversidade cultural, social e econômica em meio a tantos obstáculos afetam os menos desfavorecidas.

Com um número ainda elevado de excluídos da informatização — cerca de 4,5 milhões de pessoas —, o país caminha a passos lentos rumo à inovação social, pois o cidadão que está à margem das novas tecnologias encontra empecilho desde a entrada no mercado de trabalho, ingressar no ensino superior, buscar serviço públicos e privados, ou seja, na era digital, tudo é informatizado. E, cada vez mais, os marginalizados da tecnologia estão da inserção atual da sociedade contemporânea.

Não basta ter acesso ao computadores e celulares de última geração, é necessário haver uma verdadeira revolução de educação tecnológica, incluindo políticas públicas mais eficientes para um aprimoramento social e democrático das possibilidades abertas pela ciência e tecnologia.

Aliás, o Brasil precisa como ninguém modelar suas estruturas de ensino para o público mais velho. De acordo com o IBGE, em 25 anos, o Brasil será um país de maioria de idosos, oriundos dos segmentos D e E principalmente, com mobilidade reduzida e desconhecimento de tecnologia, gerando graves desníveis socioeconômicos. Porém, com a implementação de políticas públicas eficientes, há chances de avanços.

Para Milton Pombo, professor e consultor de Tecnologia da Informação da Universidade Católica de Brasília (UCB), políticas de educação tecnológica devem ser colocadas em prática já nas primeiras idades escolares para aprimorar os futuros profissionais. Segundo ele, o cidadão deve ser educado a compreender digitalmente o novo mundo que se apresenta. A medida vale para todos – educação pública e privada. Se houver distinção, a roda viva da exclusão será continuada.