Lollapalooza, o festival interconectado por três dias

Mais de 300 mil fãs que usaram as plataformas digitais

Rodrigo Neves

Pela sétima vez no Brasil, o Lollapalooza – festival de música alternativa com rock alternativo, heavy metal, música eletrônica, pop e hip-hop – fez, de 23 a 25 de março deste ano, a maior edição entre as sete já realizadas. Mais de 300 mil pessoas estiveram no Autódromo de Interlagos em São Paulo em quatro palcos e várias atividades.

Neste Lollapalooza, foi intensificado o canal com os fãs via plataformas digitais. Por meio delas, foram anunciados que haveria uma data extra – passando de dois para três dias de festival -, as informações, a programação completa e o sistema deu tão certo que os elogios também vieram online. As queixas de eventuais e falhas também foram feitas em tempo real.

Fernando Marques, de 22 anos, foi um dos que recorreram às redes sociais para expor sua opinião ou para dar alguma sugestão relacionada ao evento. “Reclamei sobre uma situação e eles me responderam dizendo que iriam melhorar”, lembrou. “Também já pedi muitos artistas e acho que eles escutam”.

Bombando

Mesmo com as entradas mais caras – que chegaram a custar R$ 1000 -, o Lollapalooza esgotou em pelo menos dois dias pela primeira vez, vendendo a maioria dos ingressos através do site da Tickets For Fun.

O festival conseguiu, assim, se consolidar e se tornar um sonho de consumo, como contou o jornalista José Norberto Flesch, responsável por revelar informações exclusivas sobre shows através do seu Twitter.

“O Lollapalooza ganhou o mesmo tipo de adesão que o Rock in Rio, ou seja, muita gente vai pelo nome do evento, pelo agito do evento em si.”, disse Flesch. “Parece algo negativo, mas, comercialmente, chega a ser um sonho para promotores conseguir isso.”

Atrações

 As principais atrações do Lollapalooza Brasil 2018 foram algumas das mais pedidas de todos os anos do festival. Pearl Jam, Lana Del Rey, Red Hot Chili Peppers, Imagine Dragons e The Killers são algumas delas. Todos eles eram os mais “buscados” no Google nas pesquisas que envolviam o festival, segundo o relatório do Google Trends consultado na semana do evento.

Fãs de música de todos os cantos do país se deslocaram até São Paulo, principalmente por conta dessas atrações. É o caso do estudante Thiago Cyrino, de 19 anos, que, motivado pelo line up, saiu do Rio de Janeiro para ir ao Lollapalooza pela primeira vez.

“Eu sempre tive muita vontade de ir pelo fato de ser o festival que tem o line up mais parecido com o meu gosto musical, e nesse ano foram alguns artistas que eu gosto bastante”, afirmou Cyrino.

A webdesigner Danúbia Barreto, 23 anos, de Brasília, também foi ao Lolla pela primeira vez. “Gosto de algumas bandas como Pearl jam, Imagine dragons, Oh Wonder… Mas fui pra ver mesmo a Lana Del Rey”, disse a estudante.

Internet

Ambos foram ao evento com amigos que conheceram através da internet. “Fui sozinha pra São Paulo, entrei em um grupo no WhatsApp do Lollapalooza e conheci algumas pessoas que foram super amigáveis e prestativas”, contou Danúbia, que também ficou hospedada na cidade gratuitamente utilizando um aplicativo.

A experiência proporcionada pelo Lolla fez muitas pessoas retornarem, como a estudante Grazielle Passos, de 19 anos, que já esteve presente em cinco edições, contando com a de 2018. “Eu gosto muito do espaço, independente de quem vai tocar, as atrações e o público são sempre muito bons”.

Marinheiros de primeira viagem também se impressionaram com a experiência que tiveram. “O Lollapalooza ofereceu a melhor experiência que um festival pode oferecer, gostei bastante da organização, dos horários dos shows e dos stands das marcas. Parecia um mundo ali dentro”, revelou Cyrino.

Mundo real, problemas antigos

 Com um público maior, os problemas no  Lollapalooza também aumentaram: triplicaram as filas para os banheiros, bares e tendas de comida. Houve superlotação dos shows e problemas com transporte público. Todos estes relatos contados em tempo real nas redes sociais do Lolla e em comunidades online de informações sobre o festival.

A primeira grande mudança veio em 2016 com a utilização de pulseiras, que podiam ser recarregadas na internet ou em pontos de recarga espalhados pelo espaço, o que diminuiu drasticamente as filas. Este ano, com um dia a mais, o público também contou com menos choques de horários entre as atrações principais.
Para facilitar a locomoção e evitar a superlotação, o Palco Perry – palco de música eletrônica -, que chegava a ser fechado por não conseguir acomodar mais pessoas, foi colocado no lugar em que ficava o Palco Axe nas edições anteriores, enquanto o Palco Axe foi colocado ao lado do Palco Onix.

Apesar de todos os cuidados, o palco foi o que mais teve problemas: um problema técnico fez com que o show da cantora brasileira Liniker fosse interrompido e encerrado na metade. Houve, ainda, falhas de som, como o que aconteceu enquanto a banda Imagine Dragons estava no palco, fazendo parte do público deixar a apresentação logo no início por não conseguir ouvir os músicos.

Paralelamente, a cada falha, fãs apelavam às redes sociais. “Muito frustrada com qualidade do som do palco Onix onde o Imagine Dragons se apresentou. Saí do RJ para curtir a banda e o evento, e fiquei bastante decepcionada”, reivindicou Carla Lima (@carlalima_) ao Lollapalooza no Twitter.