Brechó consciente, o retorno do escambo

Diana  Bispo e Fernanda Bueno

A internet se tornou palco para pessoas que encontraram soluções online  fugir do  consumo desenfreado e  também para resgatar um antigo hábito da sociedade: o bom e velho  “escambo”, deixando o consumismo completamente de lado. Este despertar trouxe à tona o conceito de moda consciente, aquele em que usuários passam a valorizar os processos de produção desde matéria- prima, tecnologias à  mão-de -obra.

Nas redes sociais, surgiram alternativas, como os brechós virtuais, que vendem e trocam roupas via internet. Dona de um brechó no Instagram  Lara Stephanie tem a moda consciente presente desde a infância e diz  que  isso já faz parte do seu cotidiano. “O conceito de moda já é da família, somos muitos ligados a isso. Desde criança minha avó já me deixava por dentro, todo mês comprando roupas novas ou trocando, eu cresci neste ambiente. Escolhi o Instagram, porque eu já tenho muitos seguidores, aí  aproveitei a  influência que tenho  lá. A loja física é mais difícil pra eu manter, na  rede social  estou sempre ligada , e cada um pode ver no celular mesmo, melhor que sair de casa”, disse.

Há, ainda, sites e aplicativos que promovem esse tipo de conexão: armários compartilhados que funcionam como um grande guarda roupa coletivo, no qual  os assinantes do serviço pagam um valor mensal para terem acesso às peças por determinado tempo. A estudante de arquitetura Bianca Souza é uma das adeptas do novo estilo de aderir à moda. “Estava  atrás de roupas vintage e  sabia que só iria encontrar em brechós e acabei descobrindo vários. A vantagem do online é que não é preciso sair de casa ,  escolhi o instagram por que eu acho que é uma ferramenta de fácil acesso”, afirmou.

Neste novo momento de consumo, o que importa é a representação social, mais do que o valor de cada produto. Para o educador financeiro Jonatas Bueno, o ser humano tende a consumir por questões emocionais e não racionais.  “O cérebro do ser humano é trabalhado para enxergar escassez em tudo. A gente sempre acha que precisa de alguma coisa, isso faz com que estejamos sempre acumulando coisas. A consciência sobre o consumo faz com que você perceba o que você precisa e o que  não precisa e também te ensina métodos de trabalhar  essa impulsividade”, disse.

Pelos dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), as compras em brechós possibilitam economia que vai até 80% em relação às lojas tradicionais. Os ambientes virtuais tornam ainda mais fácil o acesso às peças e trazem  alguns benefícios, um dos principais é a economia de dinheiro.

“Em geral, as pessoas costumam usar pouquíssimas peças várias vezes e muitas peças poucas vezes, então você tem um gráfico em que o uso real é bem simplificado, quando a gente começa identificar o que  tem uma taxa de uso bem pequena,  podemos fazer aquilo  girar.  Isso vai forçando devagarzinho a um menor consumo de itens novos, fazer girar as peças até elas passarem pelo tempo  útil de vida máximo é muito relevante e faz muito bem pro bolso, porque as peças usadas ficam mais baratas”, analisou Jonatas Bueno.

 

(BOX)

Casos como o do complexo Rana Plaza, fábrica têxtil de Bangladesh que desabou em 2013 matando mais de 1.100 pessoas, que trabalhavam no local em situação análoga à escravidão, despertaram a atenção do mundo para as consequências da indústria da moda, que é a 5° mais poluente do mundo segundo o relatório apresentado pelo Fórum Mundial Global Fashion Agenda na Dinamarca em 2017.

 

 

 

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(texto original)

 

Moda em rede

Consumo consciente ganha força nas redes sociais.

Diana  Bispo e Fernanda Bueno

 

A internet se tornou palco para pessoas que encontraram soluções online,  para  diminuir  o consumo desenfreado e  também para resgatar um antigo hábito da sociedade: o bom e velho  “escambo”.  Casos como o do complexo Rana Plaza, fábrica têxtil de Bangladesh que desabou em 2013 matando mais de 1.100 pessoas, que trabalhavam no local em situação análoga à escravidão, despertou a atenção do mundo para as consequências da indústria da moda, que é a 5° mais poluente do mundo segundo o relatório apresentado pelo Fórum Mundial Global Fashion Agenda na Dinamarca em 2017.

Esse despertar trouxe à tona o conceito de moda consciente, que é quando os usuários passam a ter consciência de todos os processos envolvidos na produção de roupas por eles adquiridas, como a matéria prima, as tecnologias investidas e a mão de obra utilizada. E nesse novo conceito, o consumismo está definitivamente fora de moda.

Surgiram então nas redes sociais algumas soluções como, por exemplo,  os brechós virtuais, lojas que vendem e trocam roupas via internet. Dona de um brechó no Instagram  Lara Stephanie tem a moda consciente presente desde a infância e diz  que  isso já faz parte do seu cotidiano. “O conceito de moda já é da família, somos muitos ligados a isso. Desde criança minha avó já me deixava por dentro, todo mês comprando roupas novas ou trocando, eu cresci nesse ambiente. Eu escolhi o Instagram, porque eu já tenho muitos seguidores, aí  aproveitei a  influência que tenho  lá. A loja física é mais difícil pra eu manter, na  rede social  estou sempre ligada , e cada um pode ver no celular mesmo, melhor que sair de casa”

Além dos brechós, há também diversos outros sites e aplicativos que promovem esse tipo de conexão. Nesse ramo, existem ainda os armários compartilhados que funcionam como um grande guarda roupa coletivo no qual  os assinantes do serviço pagam um valor mensal para terem acesso às peças por determinado tempo.

A estudante de arquitetura Bianca Souza é cliente de brechós virtuais e descobriu neles vantagens que fazem a compra valer a pena. “Eu conheci os brechós pelo instagram, estava  atrás de roupas vintage e  sabia que só iria encontrar em brechós, fui procurando no instagram e acabei descobrindo vários. A vantagem do online é que não é preciso sair de casa ,  escolhi o instagram por que eu acho que é uma ferramenta de fácil acesso”, afirma Bianca.

As tendências marcam épocas que são divididas, historicamente, conforme o estilo e o comportamento, a moda está em constante mudança. E hoje, mais do que nunca, as roupas e acessórios sofrem influência das mídias e se tornam tendência rapidamente. Nessa era do consumo em que o importante não é a funcionalidade dos produtos, mas sim o que eles representam socialmente, a produção em massa de roupas e acessórios é dividida em coleções e estações.

Todo o ambiente de uma loja é pensado com estratégias para seduzir. As peças se tornam mais do que vestuário. Elas adquirem certa aura, quase como algo mágico que tem poder de nos transformar em pessoas especiais. Para o educador financeiro Jonatas Bueno, o hábito de comprar por questões emocionais e não racionais é uma característica dos seres humanos.

“O cérebro do ser humano é trabalhado para enxergar escassez em tudo, a gente sempre acha que precisa de alguma coisa, isso faz com que estejamos sempre acumulando coisas. A consciência sobre o consumo faz com que você perceba o que você precisa e o que  não precisa e também te ensina métodos de trabalhar  essa impulsividade”, afirma Jonatas.

Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) as compras em brechós possibilitam economia que vai até 80% em relação às lojas tradicionais. Os ambientes virtuais tornam ainda mais fácil o acesso às peças e trazem  alguns benefícios, um dos principais é a economia de dinheiro.

Jonatas Bueno explica os benefícios financeiros que a escolha de comprar itens usados pode trazer. “Em geral as pessoas costumam usar pouquíssimas peças varias vezes e muitas peças poucas vezes, então você tem um gráfico em que o uso real é bem simplificado, quando a gente começa identificar o que  tem uma taxa de uso bem pequena,  podemos fazer aquilo  girar.  Isso vai forçando devagarzinho a um menor consumo de itens novos, fazer girar as peças até elas passarem pelo tempo  útil de vida máximo é muito relevante e faz muito bem pro bolso, porque as peças usadas ficam mais baratas”.

De uma ideia que nasceu do desejo de solucionar o problema do consumo e as questões socioeconômicas e ambientais envolvidas, nasceu uma nova possibilidade para aqueles que viram na internet uma oportunidade de unir moda consciente e  empreendedorismo. Cada vez mais lojas online crescem e conquistam mais clientes e parceiros que tem dado preferência as peças usadas que vem cheias de histórias.