BRT Brasília, ainda longe do ideal

Com menos estações em funcionamento, o sistema é alvo de elogios e críticas

Camila Sousa

Inaugurado em 2014, o sistema BRT de Brasília só passou a funcionar em 2015, e agora apresenta falhas, indicações de abandono do poder público e virou alvo de polêmicas entre críticas e elogios. Só no Sistema de Transporte de Passageiros Eixo Sul – Expresso DF são quase 95 mil passageiros, por dia, que transitam entre Gama, Santa Maria, Park Way e Plano Piloto, em cem veículos em atividade, segundo o Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans).

No projeto do Expresso DF Sul, estimava atender 600 mil pessoas diariamente, e construir 5 terminais de integração e 24 estações. Hoje, o sistema possui 19 estações: duas em Santa Maria e no Gama, Park Way oito; Candangolândia, duas; e no Plano Piloto, apenas uma. E quatro terminais, Brasília com dois, e uma no Gama e Santa Maria.

Contudo, apenas 15 estações estão em funcionamento. A estação Santos Dumont em Santa Maria está interditada desde maio em decorrência de um acidente em que um caminhão provocou danos na estrutura. O governo do Distrito Federal divulgou que as obras começariam em setembro, porém não se percebe movimento no local.

O Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), informou que a obra está sendo executada dentro do cronograma previsto. E que serviços de recuperação do piso e da estrutura metálica, por exemplo, já foram realizados. A previsão é que a estação volte a operar até o final do mês de novembro

As estações Quadra 26, Vargem Bonita, e Granja do Ipê, do Park Way– Catetinho foram transformadas em locais de vandalismo e estão com os vidros quebrados e janelas protegidas por plásticos. O DFTransesclarece que as estações Vargem Bonita e Granja do Ipê do BRT Sul deverão ser entregues aos usuários até o final deste mês. Já as estações do Catetinho e Quadra 26 devem estar á disposição dos passageiros até o final deste ano.

Rapidez

Contudo, o BRT trouxe para os moradores do Distrito Federal uma redução no tempo de viagem. A recepcionista Mariana Silva, 33 anos, conta que antes do BRT, ela levava muito tempo para chegar ao trabalho. “Eu tinha que acordar de madrugada para pegar ônibus, com muito trânsito demorava para chegar ao trabalho, quase fiquei desempregada. Agora meu marido me deixa no terminal e eu pego o BRT, chego em 25 minutos no Plano”, disse ela.

Pelo relatório de 2015, do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP) do Brasil, o corredor de BRT Expresso DF Sul é considerado um sistema positivo, recebendo a medalha de prata. A integração foi o item de destaque do relatório, pois o sistema integra com os outros meios de transporte coletivo.

“Você poder usar outros meios de transporte sem ter que pagar o tempo todo, é muito bom. Trabalho por conta própria e muitas vezes utilizo metrô, ônibus e volto para casa de BRT, a integração facilita muito, pois o embarque é mais rápido, você não tem que esperar pelo troco, e sem contar que o BRT, não tem aquela superlotação que existe nos ônibus convencionais, pra mim é muito melhor”, disse o morador do Gama Cleberson Pereira, 42 anos.

O relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) considerou alguns pontos negativos em relação à operação, como filas desorganizadas, demora nos embarques, falta de informação para os passageiros, como monitores nos terminais, e falhas na infraestrutura das estações.

Entorno

Segundo o Plano Diretor de Transporte Urbano e Mobilidade do DF e Entorno (PDTU/DF) 2007/2011, o BRT atenderia as regiões do Entorno Sul: Novo Gama, Valparaíso, Ocidental e Luziânia (GO), mas só puderam desfrutar do serviço apenas neste ano, a integração foi iniciada com ônibus que é alimentadora do Terminal Santa Maria, mais este ônibus que liga a região ao terminal apenas funciona das 9h às 18h.

A estagiária Raissa Carvalho, 19 anos, moradora da Cidade Ocidental (GO), esperava economizar tempo entre o caminho de casa ao trabalho, porém isso não ocorre: “O ônibus que faz a integração passa muito tarde, ele não passa às 6h ou 7h, no horário onde o transito é mais intenso para quem vai para Brasília, então acaba que levo mais de uma hora para chegar”.

Foto: Hellen Torres (NTU)