Rock in Rio, o eterno turbilhão de emoções

Artistas estrangeiros valorizam a cultura brasileira em sete dias de espetáculos  

Rodrigo Neves

Enviados Especiais

Em sete dias, a 32ª edição do Festival Rock in Rio (RIR), na “Nova Cidade do Rock”, localizada no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, mais de reuniu mais de 700 mil pessoas que puderam escolher diversos estilos: de Maroon 5 a Justin Timberlake, Guns N’ Roses e Red Hot Chili Peppers. Desta vez, o RIR foi em um espaço de 300 mil metros quadrados dando mais lugar para o público e facilidades para o acesso.

O responsável pelo festival, o empresário Roberto Medina, comemorou as mudanças. “O Rock in Rio nunca é igual. Este ano construímos uma nova Cidade do Rock que fez a experiência ser ainda melhor”.

Além das apresentações musicais do palco principal – o Palco Mundo -, outros sete palcos, arenas de games – Game XP -, brinquedos, lojas e espaço gastronômico fizeram parte do novo espaço do Rock in Rio. Durante o RIR, o Rio foi “tomado” pelo clima: do aeroporto ao metrô, havia postos para adquirir o cartão que dava acesso aos transportes públicos que levavam ao Rock in Rio.

Opiniões

“Especialista” em festivais, depois de ir a três edições do Rock in Rio, a jornalista Luciana Lino, 22 anos, elogiou as mudanças. “Eu achei a localização desse ano melhor do que a das outras edições e o sistema de transporte estava muito bom”. Mas reclamou da fila que pegou para sair do local. “Em compensação, na volta, por conta da fila demorei 30 minutos pra fazer o trajeto do portão até a estação do BRT, que é uma distância pequena para ser feita a pé.”

Para quem foi pela primeira vez, como a publicitária Fernanda Araújo, 27 anos, as mudanças devem atingir o número de dias. “Eu fui nos dias do Guns e do Bon Jovi. A sensação no primeiro dia é que você tem que fazer muitas escolhas dentro da própria Cidade do Rock, pois as coisas são muito longe umas das outras e andamos muito para conhecer o lugar. Até tentamos usar o aplicativo do festival, mas não deu muito certo”, relatou.

Pela primeira vez no Rock in Rio, a funcionária pública de Brasília Ligia Sandra, 49 anos, foi só elogios. “Foi maravilhoso! Não vimos nenhuma confusão. Era só paz e curtição”, contou Ligia, que já planeja voltar para outra edição do festival.

Shows

Houve vários cancelamentos que antecederam o início do festival. O mais marcante foi o da cantora Lady Gaga, atração principal da noite de abertura do Rock in Rio 2017, que nem chegou a embarcar para o Brasil por conta de fortes dores causadas por uma doença chamada fibromialgia.

Mesmo com a opção de receber o dinheiro do ingresso de volta, alguns fãs da cantora resolveram ir ao festival. O estudante Henrique Vieira, 20 anos, é de Porto Alegre e foi um deles. “Decidi ir porque já havia gasto com hospedagem, passagens e criado até um roteiro do que fazer no festival.”, disse. “Curti muito os espaços e o show maravilhoso da Ivete! Também conheci um grupo de amigos e isso fez valer a pena.”

O auxiliar administrativo de Brasília Tiago Diniz, 25 anos, preferiu não arriscar e cancelou a viagem para o Rio. “Eu desisti aos 45 do segundo tempo. Já tinha feito até o check-in do voo, mas já tinha perdido a vontade”, afirmou ele que remarcou a passagem para o próximo megafestival – o Lollapalooza.

Sem Gaga e com dois dias seguidos de Maroon 5, o Rock in Rio seguiu a programação com as atrações que, em maioria, já eram veteranas do festival. Artistas nacionais, como Skank e Capital Inicial, não deixaram de falar sobre a situação política do Brasil, dando espaço para a manifestação da plateia contra políticos brasileiros, em especial contra o presidente Michel Temer.

Os artistas internacionais aproveitaram os shows para valorizar a cultura brasileira. Fergie levou a drag queen Pabllo Vittar e o músico Sérgio Mendes para se apresentarem com ela. Alicia Keys convocou o percussionista Pretinho da Serrinha, a líder indígena Sônia Guajajar e o grupo Dream Team do Passinho. A banda 30 Seconds To Mars recebeu o rapper Projota no palco para um trecho em português durante a nova música da banda, “Walk On Water”.

Houve ainda momentos de protestos contra o governo do presidente Michel Temer, a desvalorização da Amazônia e críticas à violência. 

*Colaborou Luana Pontes

Foto: Feliphe Marinho/ Tracklist