Orelhões: retrato de uma época, hoje à morte

Com 116,53 celulares por 100 habitantes no país, os telefones públicos desaparecem

Péricles Lugos

Já foi o tempo que as pessoas faziam filas e colecionavam fichas para falar ao telefone de uso público – o chamado orelhão, ovo ou capacete de astronauta. Mas agora perdeu muito seu uso com a chegada do telefone celular – 242 milhões em funcionamento no país, segundo Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Houve uma redução expressiva dos orelhões no Distrito Federal e em todo país. A Anatel informou ao Artefato que a iniciativa foi necessária porque a manutenção é elevada. Em funcionamento no país, há 690.599 aparelhos públicos, de acordo com a agência.

Morador de Samambaia, o barbeiro Jeândilas de Oliveira, 33 anos, disse que usou muito o orelhão na infância e na adolescência. Segundo ele, gastou “muitas fichas” nas ligações para celular pois as tarifas eram caras. “O orelhão virou enfeite de rua só em julho deste ano, usei novamente para pedir ajuda a polícia por um roubo a mão armada. Levaram adivinha o quê? O celular”, contou ele.

Para a técnica de enfermagem, Ivonete Alves da Silva, 36 anos, moradora do Riacho Fundo 2, o orelhão também não faz mais parte do seu cotidiano. “Há anos não sei o que é um orelhão. O celular para mim é um o objeto muito importante. É como se fizesse parte do meu corpo”, afirmou ela.

Carência

Segundo a Anatel, cada região do país necessitava de mais 398.107 aparelhos telefônicos públicos. Atualmente, o Sudeste é o local com mais aparelhos, seguindo pelo Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Só no Distrito Federal são 11.473 orelhões disponíveis.

Todos os orelhões funcionam 24 horas com cartões ou chamadas a cobrar estão classificados em: adaptado para cadeirantes, para deficientes auditivos e da fala, disponíveis, em manutenção, disponibilidade e total. No DF, há 613 aparelhos públicos para cadeirantes e 67 para deficientes auditivos e de fala. Em manutenção, são 247.

Planejamento

Para instalar um orelhão na cidade, a Anatel faz um planejamento para definir os locais adequados. Porém, algumas exigências devem ser cumpridas, como ter um aparelho público nas localidades com mais de 100 habitantes, assim como nas áreas rurais.

O ideal é manter quatro orelhões para 1000 habitantes por município, com uma distância de, no mínimo, 300 metros um do outro.

Foto: Rafaela Gonçalves