Mais investimentos, menos educação

União injetará quase US$ 8 bilhões no ensino público que não se refletem na prática

Maria Isabel Felix

Investir em educação é essencial para garantir um futuro de qualidade que transforma jovens em adultos críticos e ativos para a construção de uma sociedade desenvolvida. Em 2016, o ensino básico recebeu R$ 136 bilhões em investimentos. Para este ano, a promessa do Ministério da Educação (MEC) é elevar em 7%  o Produto Interno Bruto (PIB).

Apesar da aparente melhora em investimento, a educação no país ainda é precária. O recente estudo ‘Um olhar sobre a educação’ e o Programa Internacional de Alunos (Pisa) – considerada a avaliação de ensino mais importante do mundo -, ambos ratificam: o Brasil é um dos lanternas em qualidade de ensino.

Divulgado no fim de 2016, o estudo Pisa apresenta o panorama da educação brasileira e alerta para o nível do ensino no país. De acordo com a pesquisa, feita com estudantes de 15 anos provenientes de 72 países, o Brasil ocupa a 66ª posição em matemática, 63ª em ciências e 59ª colocação em leitura.

Caio Callegari, coordenador de projetos do Todos Pela Educação, disse que não basta “ só injetar mais dinheiro, é preciso que seja melhor gerido, de forma a transformar o investimento em resultado prático para os estudantes”.

Em nota, o Ministério da Educação (MEC) informou que: “A expectativa é que, a médio prazo, as mudanças sejam refletidas na relação dos estudantes com a escola, tornando o ambiente escolar mais atrativo e conectado com a realidade dos jovens”.

Público x Privado

Ignorando as perspectivas de melhoria a curto, médio e longo prazo, hoje, é notável uma diferença abissal entre o ensino público e privado. Para Caio Callegari, um dos grandes pilares para melhorar o ensino público é investir na qualificação e remuneração dos professores.

Como exemplo, Callegari cita os países que obtiveram as melhores classificações no Pisa, como Cingapura e Hong Kong possuem o professor como uma das profissões mais valorizadas da sociedade, de modo a possuírem melhores condições de trabalho e consequentemente, maior motivação. “Para tanto é preciso apresentar a carreira como algo atraente”, disse ele.

Depoimentos

Larissa Nogueira, 22 anos, jornalista, fisioterapeuta e publicitária: “Praticamente só estudei em escola particular e acabei perdendo a vaga e fui para uma escola pública. Foi bom pela experiência de ter vivido o novo, mas parece que repeti o ano, pois eu já sabia de todo o conteúdo”.

José Mateus Alves, 21 anos, sempre estudou em colégios públicos. “O que mais faltava eram atividades extracurriculares, além do auxílio moral na nossa formação. Cada professor dava sua aula mas não tinha uma conversa franca com os alunos sobre o que era o vestibular. Simplesmente não havia incentivo por parte da coordenação da escola.”

Foto: Luiza Barros