Armazenar, costume que ganha mais adeptos

Hábito, religião e crise levam famílias a estocar de alimentos a produtos de higiene

Aline Cabral

A crise econômica, que gera elevação nos preços dos combustíveis e das mercadorias nas prateleiras dos supermercados, hábitos cultivados pela inflação do passado e costumes religiosos conquistam cada vez mais adeptos: muitos passaram a estocar alimentos, produtos de higiene e limpeza. Algumas famílias dizem que chegam a economizar até 50% de sua renda mensal.

Para o economista Max Leno, supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), disse que a instabilidade econômica deve servir para mudança de comportamento. “Com a crise surge também a necessidade de se repensar inclusive as finanças, sendo assim uma atitude que pode ser adotada é um melhor planejamento financeiro, que passa por conhecer a movimentação financeira, avaliando o corte de gastos”, afirmou.Moradores de uma chácara afastada de Brasília a babá Rosmari Vedovatto Matte, 48 anos,  e o marido, o caseiro Alcindo Matte, 52, costumam armazenar alimentos por dificuldade de acesso onde moram e também para tentar economizar. O casal armazena feijão para plantar de um ano para o outro e  milho para alimentar os animais.

‘‘Tem anos que a produção de feijão é grande, em outros não, também há épocas em que estamos com a situação financeira apertada, então usamos o nosso estoque. O armazenamento nos beneficia de modo que economizamos dinheiro e tempo’’, contou Rosmari Matte, informando que costuma economizar metade da renda com o armazenamento.

Religião

A prática do armazenamento é adotada pelos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias para que se preparem para as adversidades da vida que fazem estoques de mantimentos e água e uma poupança em dinheiro. No caso da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, essa prática é incentivada. A professora de música Luciana Resende Bueno Areal, 36 anos, disse que passou a estocar água e alimentos – arroz, macarrão, feijão, sal, azeite, molho de tomate, chocolate e atum.

“Aprendi na minha religião, que devemos ser autossuficientes em diversas áreas de nossa vida. Dentre uma delas está o armazenamento de alimentos”, disse Luciana Areal. “No mês que você precisa pagar algo extra não precisa se desesperar com as despesas com alimentação, pois já tem estocado”.

A autônoma Cristiane Roque da Costa, 56 anos, costuma comprar produtos na época em que os preços estão mais baratos, o que a ajuda na economia diária. “É bom fazer armazenamento com ingredientes na época da safra porque se estoca com melhor qualidade e por um preço mais barato. É preciso escolher produtos de boa qualidade para que eles não pereçam com o tempo”, ensinou.

Incentivo

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias possui um histórico de participação em esforços humanitários neste país. O programa de serviço da Igreja denominado “Mãos Que Ajudam” foi reconhecido em novembro de 2002 como uma das mais importantes organizações voluntárias do Brasil, onde vários necessitados são beneficiados por meio da igreja com arrecadações de alimentos doados pelos membros da igreja em casos emergenciais, como recentemente com a passagem do Furacão Irma por países da América Central e dos Estados Unidos.

Foto: Aline Cabral