Política e políticos em descrédito, triste constatação

Camila Sousa

A pouco mais de um ano para as eleições de 2018, o brasileiro mostra alta rejeição aos políticos que estão no poder e muitos não acreditam na democracia brasileira, o que se percebe na rua, no ônibus e em qualquer lugar que se fale sobre o assunto, como constatada por uma pesquisa do Instituto Ipsos, empresa francesa que está presente em 87 países. Não era para menos, há quase três anos vivemos “em crise política”. É óbvio que há impactos. E isso acarreta impactos.

O levantamento, feito entre 1º a 14 de julho deste ano, com 1,2 mil pessoas em 72 municípios, mostra que o brasileiro está desencantado com a democracia brasileira e que reprova a atuação dos políticos. Pelo menos 94% dos entrevistados consideraram não ser representados pelos políticos e 86% não se veem nos candidatos em que votaram.

O motivo da frustração dos eleitores é, sem dúvida, em relação aos escândalos políticos a partir de 2014, quando foi deflagrada a Operação Lava Jato, que investiga esquema de lavagem e desvio de dinheiro envolvendo a Petrobras, empresários e políticos. O que parecia ser apenas mais uma operação com nome curioso passou a ser a investigação que mostrou ao mundo uma série de escândalos envolvendo a maioria dos políticos que foram eleitos neste mesmo ano.

Ao longo das apurações, observamos que não só os principais partidos políticos estavam envolvidos, como também quase todas as legendas. Dos 35 partidos políticos, reconhecidos pela Justiça Eleitoral, 28 partidos receberam doações de empresas que estão relacionadas à Lava Jato.

Para a professora Marilde Loiola, do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (IPOL – UnB), após tantas denúncias e escândalos, é natural que o cidadão passe a se desinteressar de forma progressiva pela política nacional. Segundo ela, o brasileiro não deve se afastar, mas fazer uma reflexão política cujo foco seja uma análise objetiva das estruturas do sistema eleitoral partidário do nosso país.

Como o descrédito do eleitor pode refletir nas próximas eleições? A professora da UnB alerta que é preciso tomar muito cuidado, pois historicamente busca-se um “salvador da pátria”, “alguém que diga que não é político, que vai “passar a limpo o país” e acabar com a corrupção”.

Marilde Loiola adverte ainda que é preciso estar atento à possibilidade de mais atos de corrupção, pois muitos eleitores descrentes com o cenário políticos optam por não votar ou anular. Na prática, pode acabar favorecendo o político corrupto e com más intenções, lembra e alerta a professora. “Max Weber dizia que existem dois tipos de políticos: aqueles que vivem da política e aqueles que vivem para a política”.

Qual será o futuro do país? Sinceramente? Prefiro manter meu otimismo sempre. É preciso transformar esse período de crise em aprendizagem, observo que todos estão mais preocupados e em busca de informação.

Percebo que estamos mais críticos e a culpa da crise não é só apenas dos políticos. O brasileiro está olhando no espelho, enxergando as suas próprias falhas e erros. Notamos que a escolha foi nossa, nós os colocamos eles para nos representar a gente. E, portanto, somos os únicos que podem renovar a política brasileira.

Devemos pensar no novo, pensar em outras formas de política e dar uma grande resposta nas urnas, em 2018. Não se pode concentrar todos os problemas na Presidência da República, pois no Legislativo estão vários dos denunciados, por exemplo. Assim, vamos abrir os braços para uma nova realidade e novas ideias, pois desta forma todos serão levados a repensar em uma nova maneira de fazer política.

A participação da população é fundamental para demonstrar que a política não pode ser usada apenas em benefício próprio, para enriquecimento fácil e ilícito, mas como parte fundamental da democracia em busca da dignidade, transparência e representação.

Foto reprodução, Agência Brasil