Depressão, um mal sem distinção de idade e sexo

Só no Brasil, mais de 11,5 milhões de pessoas que sofrem com a doença

 Anderson Miranda e Péricles Lugos

A depressão é considerada um dos transtornos mentais incapacitantes mais frequentes da humanidade. Mais de 350 milhões de pessoas no mundo convivem com a depressão, só no Brasil, são aproximadamente 11,5 milhões, segundo dados de 2015, da Organização mundial de Saúde (OMS). Em geral, a dificuldade maior é diferenciar a tristeza momentânea de uma depressão.

“A tristeza pode ser, por exemplo, o luto. É uma tristeza muito profunda quando perde alguém próximo, mas com duas, três semanas, a pessoa começa a melhorar. Na depressão, com duas, três semanas, a pessoa só piora. Depressão, em geral, dura vários meses”, analisou o professor Luciano da Costa, do Departamento de Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Segundo o professor, é preciso observar os sintomas e reações que, geralmente, aparecem gradualmente. Foi assim com Patrícia Carvalho*, 22 anos, estudante de psicologia, moradora de Barueri (SP). Ela descobriu estar com o transtorno há quatro anos.

“Eu atendia pessoas com todos os tipos de problemas, ouvia reclamações de todos os tipos, por horas e isso foi me deixando depressiva”, disse Patrícia que ainda faz uso de medicamentos e acompanhamento com o psiquiatra.

O estudante de medicina Gustavo Kogos*, 26 anos, contou ter sofrido até identificar o diagnóstico de depressão. “Sentia vergonha do meu estado e muitos ao meu redor, incluindo familiares, me julgavam como vagabundo e preguiçoso. Isso me fez eu me isolar por muito tempo cada vez mais, o que só agravou o quadro”, lamentou o universitário.

Tratamento

Para o tratamento da depressão, o paciente consiste em associar sessões de análise com psicólogo e psiquiatra e mais o uso de medicamentos específicos. A família e os amigos também devem ser integrados ao processo, segundo o médico psiquiatra Hector Vinicius Cala.

“Uma maneira simples para se ajudar alguém doente é literalmente arrastar a pessoa para novos programas, como caminhadas, passeios no parque, estimulação de novas atividades e tentar evitar ao máximo que a pessoa fique na cama durante o dia”, observou o psiquiatra.

*Entrevistados pediram para não serem identificados com os nomes reais.

Foto: Renata Nagashima