Tite para presidente!

Sucesso do técnico da seleção brasileira rende 15% das intenções de votos

Gustavo Mamede

O gaúcho Adenor Leonardo Bacchi, o Tite, de 56 anos, técnico da seleção brasileira, está com moral em alta. Desde que assumiu a seleção Canarinho, foram oito vitórias em oito jogos pelas Eliminatórias Sul-Americanas. O feito classificou o Brasil para a Copa do Mundo de 2018, levando o “título” de melhor ataque e de defesa menos vazada da competição – com 24 gols marcados e apenas dois sofridos. A admiração é tanta que ele é apontado como virtual candidato a presidente da República com apoio de um eleitorado fiel.

Em uma pesquisa online feita com mais de 2.300 pessoas, em março deste ano, pelo Instituto Paraná, Tite conta com 14,8% das intenções de voto para a Presidência da República. O levantamento tem margem de erro de 2%, para mais ou para menos, e conta com 95% de precisão.

Especialistas e fãs de futebol afirmam que uma série de fatores leva à admiração, a começar pelo novo estilo e filosofia de trabalho impostos por Tite. A base é a união da equipe, o que aumenta o nível e as condições de competição. Lealdade e merecimento são as palavras-chave do técnico.

Em um de seus vários momentos de demonstração destas virtudes pregadas pelo técnico, durante a preparação para as Eliminatórias da Copa, ele chamou a atenção de todos que filmavam, assistiam e participavam do treino para dois jogadores que disputavam posição no time principal, Willian e Philippe Coutinho, saindo abraçados do campo. “Vocês disputam uma titularidade e saem abraçados. Uma coisa é competição. A outra é a lealdade. Eu estou falando alto pra todo mundo ouvir”, ressaltou Tite.

Em nota, a assessoria da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) descreveu parte do trabalho do técnico da seleção. “Tite prefere dividir os méritos com sua comissão técnica. Como líder, ele faz questão de compartilhar a responsabilidade com todos da delegação. Dos seguranças ao chef de cozinha, para ele, cada um é responsável pelo que acontece dentro de campo”.

Outro ponto positivo é a chamada liderança compartilhada. Com Dunga no comando da equipe, Miranda e Neymar eram os capitães incontestáveis quando estavam em campo. Com Tite, são escolhidos capitães diferentes a cada jogo. Assim, a braçadeira é compartilhada por todo o grupo, o que sugere a pluralidade de liderança e a divisão igualitária de peso em vitórias e derrotas.

A universitária Celise Duarte, fã de Tite desde a época do Corinthians, resume o perfil do técnico com um toque feminino. “É um homem justo. Dá chance e oportunidade para aqueles, que todos acham que não merecem, passando confiança e incentivo. A liderança dele é inegável: consegue erguer um time aparentemente afundado, assim como fez com o Corinthians e agora está fazendo com a seleção.”

Um momento marcante foi em novembro de 2016, no Mineirão, em Belo Horizonte – o maior clássico sul-americano contra o rival dos rivais da seleção brasileira: a Argentina. O Brasil goleava a Argentina por 3 a 0 pelas Eliminatórias da Copa – gols de Neymar, Coutinho e Paulinho. Aí não teve jeito, o torcedor tirou do fundo do peito a explosão de alegria, gritando aos quatro cantos do estádio, em coro: “Olê, olê, olê, olê! Tite, Tite!”. Era o apoio incontestável ao novo ídolo da seleção.

As eleições presidenciais de 2018 são uma incógnita em meio às denúncias da Operação Lava-Jato e diante da falta de credibilidade de alguns políticos e partidos consagrados.  Mas, para alegria dos apaixonados por futebol, a seleção de Tite vai à Copa do Mundo da Rússia independentemente da função que ele ocupar.

Foto de Capa: Mowa Press