Sem creches públicas, poucas alternativas

O déficit de vagas em todo Distrito Federal chega a 21 mil

Natália Martins

O começo do ano letivo no Distrito Federal se transformou em uma verdadeira via crucis para pais e mães de crianças com menos de 3 anos. A falta de vagas nas pré-escolas fez com que muitos enfrentassem longas filas de espera, virando noites em frente ao portão de creches, na tentativa de garantir uma vaga. No DF, são 42 centros de Educação da primeira Infância (CEPIS) em funcionamento – 11 em obras e seis estão fechados por falta de vistoria, segundo as autoridades. A Secretaria de Educação confirma que o déficit é de 21 mil vagas no atendimento de crianças de 0 a 3 anos de idade.

Com unidades fechadas em Samambaia, Brazlândia, Águas Claras, Lago Norte e Asa Sul muitas famílias ficam de mãos atadas em meio a essa situação e apelam para a criatividade e a ajuda amiga no cuidado com os filhos. Com a renda mensal de um salário mínimo (R$ 937,00), Janaína Brito, mãe de duas crianças de 2 e 4 anos, gasta, por mês, em média, R$ 300 para pagar a vizinha que cuida dos seus filhos. “A saída que eu encontrei foi deixar com a minha vizinha, se não fosse ela, meus filhos ficariam sozinhos. Eu não tenho condições de pagar mais que isso”, afirmou.

Moradora de Samambaia, Claudiane Costa disse que tenta, há dois anos, matricular a filha, de 4 anos, em uma unidade próxima ao seu trabalho, mas não sem sucesso, mesmo madrugando na fila de espera em frente à creche. “Desde 2015 eu tento uma vaga para a minha filha e não consigo. O que me revolta é a incerteza de quando essa situação vai melhorar”, desabafou.

A Secretaria de Educação informou que a previsão é de que todas as creches sejam vistoriadas ainda neste semestre, e tenham capacidade de atender a população. Na tentativa de reduzir a falta de vagas, o governo do Distrito Federal fechou convênio com 59 instituições de ensino. Por ano, há abertura de uma lista de matrícula para as famílias necessitadas.

Na prática, as instituições de ensino que desejam fechar convênio com o GDF devem participar de um credenciamento para analisar as disponibilidades de vagas da instituição e declarar se possui turmas de Ensino Fundamental. Em seguida, os pais se inscrevem, também nesta lista, e aguardam a verificação, feita por meio de sorteio. Pela legislação, é obrigatório o ensino apenas para crianças com mais de 4 anos, não abaixo desta faixa etária.

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