Mente e corpo sãos, sem carne nem derivados

Veganos, vegetarianos e macrobióticos: filosofia de vida

Germana Gabriella Brito e Layla Andrade

O número de adeptos de práticas alimentares que excluem a carne e todos os produtos de origem animal aumenta a cada dia no país. Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), em 2012, mostra que 8% da população brasileira não comem carne nem derivados animais – são cerca de 15 milhões de pessoas. O portal Mapa Veg informa que há mais de 22 mil pessoas cadastradas no site – 62,6% são vegetarianas e 28,8% veganas, outras 8,7% se denominam  simpatizantes.

Gaúcha, acostumada à cultura do churrasco e do galeto, a tradutora juramentada Simonny Soares, de 46 anos, é vegetariana desde os 13. Segundo ela, a decisão foi tomada por uma razão bem específica: “Compaixão aos animais”. “Ser vegetariana é muito mais do que uma opção alimentar. É uma filosofia de vida”, disse Simonny, que detalha que tem uma dificuldade diária, a ausência de mais comércio voltado para a alimentação vegetariana e produtos veganos.

O vegetarianismo se baseia no consumo de alimentos de origem vegetal, excluindo carne, peixes e seus derivados de seu cardápio. Entre os vegetarianos há, ainda, os que se autodenominam ovolactovegetariana – que seguem uma dieta composta por alimentos de origem vegetal, ovos, leite e derivados, mas não laticínios. Também existem os adeptos da dieta lactovegetariana, na qual entram somente alimentos de origem vegetal, leite e derivados. O vegetarianismo estrito é aquele em que não se consome nada de origem animal, além da carne, ovos, laticínios e mel, por exemplo.

Amor animal  

Volta e meia o vegano é confundido com um vegetariano estrito, mas existem  diferenças, segundo os adeptos dos dois tipos de alimentação. O veganismo é uma ideologia em que as pessoas lutam pelo fim da exploração animal para qualquer tipo de atividade como consumo, abusos ou testes em animais.

A antropóloga e funcionária pública Samira Correia Dias, de 29 anos, primeiro, abraçou a causa vegetariana, depois tornou-se vegana. “Eu parei de comer carne por achar que não preciso me alimentar às custas do sofrimento animal  e, às vezes, da morte de outro ser”, afirmou ela, que disse que sua saúde melhorou após a mudança de hábitos alimentares: “Eu tinha crises de sinusite e quando cortei a carne e os laticínios, nunca mais sofri”.

As pessoas que seguem a filosofia vegana além de uma alimentação restrita aos vegetais, legumes e frutas, não consomem absolutamente nada de origem animal por princípios filosóficos, como afirmam seus adeptos, inclusive no vestuário e produtos de higiene e beleza. “O veganismo pra mim é repensar não só o que a gente come, mas como a gente vive e que tipo de mundo a gente quer para humanos e não-humanos”, afirmou  Samira.

Yin e Yang

Na busca pelo equilíbrio interior e a cura de várias doenças, há a dieta macrobiótica baseada na filosofia chinesa Yin Yang – energias que se complementam entre o suave e intenso, o negativo e positivo. A filosofia se baseia em um estilo de vida em harmonia com a natureza. Os alimentos priorizados na dieta são os naturais, livre de agrotóxicos, não industrializados, sem conservantes, gorduras hidrogenadas e farináceos brancos, nada de gordura trans e sódio, além de não consumir também nenhum tipo de alimento congelado ou enlatado.

Nesta dieta são permitidos grãos, vegetais, feijões, soja fermentada, sopa, peixes, nozes, sementes e frutas. A lista de alimentos proibidos é bem extensa: carne,  lácteos, açúcar, café, chá cafeinado, bebida estimulante, álcool, chocolate, farinha refinada, pimentas muito picantes, produtos químicos e conservantes, aves e batatas.

A ativista Fátima Maria Gonçalves, de 51 anos, aderiu à dieta macrobiótica há um ano e lista uma série de mudanças que a dieta trouxe para vida dela. “Eu me sinto mais leve e mais disposta em minhas atividades diárias, a alimentação sem aditivos ou agrotóxicos me deixou equilibrada, não só fisicamente, mas emocionalmente”, disse ela.

Cuidados

Essa alimentação cuja base é o consumo elevado de fibras pode contribuir na prevenção de algumas doenças e a redução de outras como o colesterol alto, hipertensão arterial, obesidade, diabetes e prisão de ventre, segundo especialistas. Mas para alcançar a meta desejada, a dieta macrobiótica deve ser equilibrada e acompanhada por um profissional da área.

A nutricionista Ester Santos disse que é importante que os interessados em mudar sua dieta procurem os especialistas, pois há uma série de cuidados que devem ser tomados antes da mudança. “Há o risco de perdas nutricionais. Não é aconselhado fazê-la com o intuito de perda de peso devido à grande complexibilidade e ao alto grau de dedicação, o que levará a poucos resultados em relação ao emagrecimento. Se não for feita da forma correta, o risco de adotar uma alimentação que irá produzir complicações nutricionais, é de 90%”, afirmou ela.

Foto de Capa: Francyellen Magalhães