E aí… em quem você vai votar em 2018?

A instabilidade política provoca um cenário mais imprevisível para o período eleitoral

Danilo Queiroz

As eleições de 2018 já estão batendo à porta e diferentemente dos pleitos anteriores, os eleitores estão com um pé atrás em relação aos nomes já colocados na disputa. A resposta para tanta desconfiança é simples: a onda de escândalos na política nacional. A última pesquisa Ibope, simulando o desempenho com os principais nomes para 2018, indicou que todos os políticos possuem uma elevada rejeição. Os oito políticos citados têm percentuais negativos que superam os de aprovação.

A liderança no item “rejeição” é do presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), mencionado por 62% dos entrevistados. Na sequência vêm outros dois tucanos: o senador paulista José Serra com 58% e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin,  que recebeu 54% das indicações negativas. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece em quarto lugar com 51% de rejeição.

A candidata derrotada nas últimas eleições pela Rede, Marina Silva ficou em quinto lugar com 50%. Já em sexto é citado o ex-ministro Ciro Gomes com 49% e em sétimo o deputado federal  do PSC do Rio de Janeiro Jair Bolsonaro é citado por 42% dos entrevistados, enquanto em último lugar está o prefeito de São Paulo, eleito pelo PSDB, João Doria  com 36%.

Um ponto importante precisa ser destacado: os números acima foram levantados antes da revelação da chamada “Lista do Fim do Mundo” do ministro- relator da Lava-Jato do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin – composta por 226 pessoas e empresas delatadas, contém 201 pedidos de abertura de inquérito.

A ressalva é importante porque a divulgação e tramitação dos inquéritos podem fazer com que Aécio, Serra, Alckmin,  Lula e demais citados em delações da operação sofram consequências que os deixem fora da corrida presidencial. Tantas incertezas aumentam a insegurança dos eleitores com os candidatos.

Na história recente do Brasil – desde as eleições diretas para presidente da República em 1989 que deu a vitória a Fernando Collor de Mello – é a primeira vez que tantos elementos negativos invadiram o cenário de escolha do voto. Recém-saído de um impeachment, o país poderá experimentar, na hora de ir às urnas, um novo sabor amargo, em outubro do próximo ano: a influência do peso das investigações.

Os nomes que não aparecem em denúncias tropeçam em outras dificuldades, como posições e atitudes polêmicas e a ausência de experiência em cargos públicos. As críticas recaem sobre o empresário Doria, no primeiro mandato a prefeito, e do militar da reserva Bolsonaro.

Com o vai e vem, é preciso que o eleitor comece a avaliar o cenário, pesar os prós e contras na balança e desde já, busque respostas para suas prioridades. Quanto a mim? Em quem votarei em 2018? Não conto com o embasamento de institutos renomados, mas posso garantir o seguinte: os próximos acontecimentos políticos envolvendo os presidenciáveis certamente me farão repensar várias vezes se esse ou aquele candidato merece a confiança e a responsabilidade de meu voto. Para quem pensa que um voto não faz diferença, respondo com dados: somos 142.822.046 eleitores em todo país! Portanto, observe os fatos, discuta e defina com calma e sabedoria em quem confiar a partir de 2019.

 Foto de Capa: Elza Fiúza/ABr