Brasília – um outro olhar

Cineastas produzem filmes de realidade virtual sobre a capital

Anderson Miranda

Imagine conhecer Brasília, a capital sonhada por Juscelino Kubitschek e planejada por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, por vídeos em realidade virtual que mostram o cotidiano da cidade e dos brasilienses. Foi exatamente isso que um grupo de sete cineastas da capital resolveu fazer.O autor do projeto Brasília Virtual é Felipe Gontijo.As produções contaram com uma equipe de dois diretores, sonoplasta, fotógrafo e duas produtoras, as produções podem ser acessadas pelo Youtube estão disponíveis no endereço https://goo.gl/McTk2G. A sensação é a de estar dentro do filme: observando em todasas direções, assim como na vida real e tendo uma noção de profundidade assim como pode se pode observar em filmes 3D.

Já foram produzidos dois filmes. Um deles mostra três amigas relembrando histórias que passaram juntas. O enredo é sobre o passeio das amigas pela Ponte JK e duraquatro minutos. O vídeo foi filmado por seis câmeras, depois para a edição todas as imagens foram sincronizadas e organizadas, por meio de um programa especial. O custo do filme foi de R$ 30 mil. O segundo foi gravado da roda gigante do Nicolândia Center Park e dá uma visão em 360 graus, o que torna possível observar alguns dos principais pontos turísticos da cidade como o estádio Mané Garrincha, ministérios e a ponte JK.

O cineasta contouter produzido os dois primeiros filmes no que chama de “na raça”. Segundo ele, o equipamento utilizado era simples, nada de tecnologia de ponta, com apoio de protótipos de suporte das câmeras e impressoras 3D. De acordo com o cineasta, foram várias tentativas e frustrações até a Brasília 360. Mas, no final, valeu a pena o esforço e ressalta que ainda virá muita novidade por aí.

Brasiliense

Felipe Gontijo é um roteirista e diretor formado em comunicação na Universidade de Brasília, autor de um estudo sobre roteiros adaptados e também fez parte dos fundadores da TV Universitária de Brasília.  Ele conta que trouxe o projeto para Brasília de uma forma acidental. “O pessoal da produtora me chamou para criar projetos próprios, para eles analisarem. Enquanto escrevia uns argumentos e ideias para eles, descobri meio por acidente uma notícia sobre o Cardboard, pirei, a intenção era de trazer essa sensação da realidade virtual para o público da Cidade, que é essa sensação de ouvir e ver como se a pessoa realmente estivesse lá.”

Para Guilherme Rodrigues, estudante de 22 anos, a sensação foi de algo inédito. ”Já tinha ouvido falar em realidade virtual, mas nunca tive a oportunidade de experimentar. A sensação é de algo mágico, de realmente poder fazer parte do filme”, afirmou.

Para a professora Maria de Fátima Souza, de 42 anos, assistir aos vídeos foi uma “experiência única” e ela se diz espantada com o avanço da tecnologia. “ A sensação é de querer literalmente tocar naquilo que estava sendo reproduzido. Fiquei mais espantada no vídeo da roda gigante, tenho fobia de altura e as sensações eram muito fiéis à realidade”, destacou.

Tecnologia

A realidade virtual é uma tecnologia avançada, que permite recriar, ao máximo, a sensação de realidade para um indivíduo. O objetivo é induzir efeitos sonoros e visuais que levam a uma imersão completa ao ambiente simulado com ou sem interação do usuário, como filmes, vídeos ou jogos, por meio de um ambiente virtual criado a partir de um sistema computacional.

Além do entretenimento, a tecnologia é utilizada na indústria, ciência e em treinamentos de pessoas para algumas atividades de risco, um dos exemplos mais conhecidos são os simuladores de vôo que ajudam futuros pilotos sem que eles corram risco pela falta de experiência.

Até 2025, de acordo com a Goldman Sachs, a realidade virtual e a realidade aumentada irão movimentar US$ 35 bilhões. De acordo com a pesquisa do grupo financeiro, US$ 18,9 bilhões virão do mercado de consumidores comuns, que utilizarão a realidade virtual e aumentada principalmente para jogos, eventos ao vivo e entretenimento. Já as empresas e o setor público responderão por US$ 16,1 bilhões, com aplicações na área da saúde, engenharia, militar e educação.