Suicide girls: garotas com estilo

Nus femininos de quem não se submete aos padrões e agrada por ser “natural”

Anderson Miranda e Gustavo Mamede

A modelo e fotógrafa portuguesa Einnis é uma das suicide girls mais famosas do momento. Aos 22 anos, mantém no Instagram (@sinnieh) uma conta com 44.500 seguidores, entre eles, vários brasileiros. “Eu me identifiquei por este estilo porque me identifico com a não padronização da beleza”, sintetiza ao falar sobre o estilo suicide girls: um site que valoriza a beleza natural das mulheres, sem photoshop ou intervenções cirúrgicas para agradar os padrões estéticos tradicionais.

Assim,  com 26 piercings e19 tatuagens espalhadas pelo corpo, Einnis está no site há cinco anos, mas reconhece que as novatas sofrem com os baixos cachês e a falta de compreensão do trabalho que fazem. Daí a determinação dela de fotografar as aspirantes a modelo. A portuguesa conta que as meninas costumam ter um estilo arrojado, mas sem fugir ao padrão das demais jovens. “Grande parte das suicide girls tem uma vida completamente normal”, garante.

O site em que estão as fotos das suicide girls valoriza o nu artístico, mas permitindo que cada mulher seja o que é. Não há ensaios super produzidos nem uso de maquiagem pesada. Cabelo, pêlos, piercings e tatuagens ao natural são permitidos. Também há espaço para mulheres magras, gordinhas, com seios fartos, não malhadas e também as pouco adeptas aos esportes.

No portal, há uma rede social com grupos, chats e blogs, nos quais os visitantes fazem postagens e visualizam os ensaios das modelos – chamados de sets. Existem duas formas de participação: como modelo ou membro da comunidade. Como modelo, a candidata precisa enviar seus sets para o site. Para ser membro, o interessado paga uma mensalidade de U$$ 12,00 por mês – cerca de R$ 37,50.

As fotos não precisam ter nudez, porém, tem de mostrar estilo e personalidade. Depois de enviadas as fotografias, a coordenação do site responde se aceita ou não o material da modelo. A partir do número de curtidas e comentários positivos é decidido se a modelo se tornará uma suicide girl. Caso seja selecionada, o portal oferece um espaço destinado ela. É necessário ainda encaminhar documentação em que comprova ter acima 18 anos.

Vitoria Grunwald, 25 anos, mora em São Paulo e conhece o site há mais de oito anos, desde a época do Orkut. Ela conta que acompanhava as notícias de uma das modelos, uma das principais referências de um estilo que ela se identifica e tinha modelos parecidas com as suicides, o Scene Kid. “Sempre quis fazer parte do site, mas era menor de idade, então, não pude na época. Mais tarde, voltei a ter contato com algumas modelos, e então, tentei entrar no site como modelo. Foi o meu primeiro contato”.

Segundo Vitoria, os assinantes são bem respeitosos em sua maioria. Ela relata que existem vários grupos e comunidades de pessoas que se conheceram no site com interesses em comum das coisas mais variadas, o que faz com que as pessoas interagissem sobre vários assuntos. “Conheci pessoas incríveis por causa do site, pessoas do mundo inteiro! Com certeza me trouxe muitas amizades”, completa.

João da Silva*, estudante de fotografia, de 23 anos, se diz fascinado pelas suicide girls. “Quero trabalhar com fotografia sensual, então o site é uma ótima forma de conhecer, além de modelos e outros fotógrafos”, contou.

José Maria*, 18 anos, técnico de informática, conta que sua primeira impressão das suicide girls foi de elas serem garotas acessíveis a garotos pouco populares entre as garotas, os ‘nerds’. “Me chamou a atenção a naturalidade e estilo das garotas. Elas são lindas sem deixarem de parecer possíveis aos garotos geeks – termo inglês que se refere aos nerds, em tradução livre -, por terem belezas peculiares”, pontuou.

*Entrevistados pediram para não serem identificados.

*Geeks = termo inglês que se refere aos nerds, em tradução livre.


Como participar:

Para visualizar as fotografias, os visitantes têm que se tornar membros do site. O valor da mensalidade é de US$ 12,00 por mês – aproximadamente US$ 37,50 – ou R$ 48,00 anuais – cerca de R$ 150,72. No portal, há uma rede social com grupos, chats e blogs, nos quais os visitantes fazem postagens e visualizam os ensaios das modelos – chamados de sets. Existem duas formas de participação: como modelo ou membro da comunidade.

 

Foto de Capa: Arquivo Pessoal