Lava Jato, o fantasma dos governos

Do PT ao PMDB, ninguém escapa da fúria

Danilo Queiroz

Deflagrada há três anos pela Polícia Federal, a Operação lava Jato que cumpriu mais de mil mandados de busca e apreensão, prisões temporárias e preventivas, além de conduções coercitivas envolvendo suspeitos de desvios de cerca de R$ 20 bilhões aproxima-se do governo de Michel Temer. Assim como foi com a ex-presidente Dilma Rousseff, Temer vê, a cada desdobramento, novos nomes ligados a ele citados ou investigados.

Nos 2.069 dias em que a petista esteve no poder, 21 ministros nomeados por ela foram investigados ou citados de forma direta na operação. A lista conta com nomes, como o do ex-presidente Lula, nomeado para a Casa Civil, supostamente para obter foro privilegiado e escapar do âmbito da investigação, Gleisi Hoffmann e Aloizio Mercadante, ambos ex-ministros.

Ao que tudo indica, a Lava Jato se apresenta como um provável tsunami para o governo do peemedebista. Nos primeiros 190 dias da gestão Temer, oito ministros foram investigados ou citados. A lista conta com nomes, como Romero Jucá, ex-ministro de Planejamento que deixou o cargo por causa das denúncias, Mendonça Filho, da Educação e Eliseu Padilha, da Casa Civil – que ocupou a Secretaria de Aviação Civil na gestão Dilma.

Não bastassem os ministros, as investigações se aproximam de aliados da base e não poupa também a oposição, portanto, a pergunta é: “Quem escapará?”. Há dados que indicam que seis partidos governistas têm nomes envolvidos de alguma forma na Lava Jato, incluindo o próprio Temer, citado na delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado – que diz ter acertado com o presidente o pagamento de R$ 1,5 milhão em propina para 69 aliados. Na gestão Dilma Rousseff, foram arrolados 64 aliados.

Para um presidente da República, essas citações podem provocar uma série de consequências a curto e longo prazo. Dilma Rousseff pagou com o próprio mandato, alvo do processo do impeachment, e sem apoio no Congresso Nacional. Talvez, por falta de tempo hábil e por ter apoio considerável da Câmara e do Senado, Temer deve escapar de uma ação tão radical, mas o PMDB certamente sofrerá os efeitos.

Sob as influências da Lava Jato, veio o mau desempenho do PT, partido de Dilma Rousseff, nas últimas eleições municipais em 2016. A legenda perdeu força na maior parte de seus redutos políticos: em 2012, foram 630 prefeituras conquistadas, já no ano passado, o número caiu para 254. O PMDB deu uma breve guinada subindo de 1.015 para 1.027 cidades. Porém, o futuro pode ser traiçoeiro, já que o reflexo dos desdobramentos atuais da operação pode vir com mais força nas eleições presidenciais de 2018. É aguardar as cenas dos próximos capítulos.

Foto de Capa: George Gianni