Só com muita criatividade

Em tempos de racionamento, métodos simples e baratos driblam a falta d’água

Natália Martins

Morador de Taguatinga, o bombeiro Augusto Cézar Rodrigues, de 39 anos, decidiu que ele e a família não sofreriam com o racionamento de água no Distrito Federal. E ele usou a criatividade para driblar esse problema: projetou e criou um coletor de água, utilizando apenas canos de PVC, mangueiras e uma piscina inflável. “Mesmo utilizando poucos materiais e parecendo ser um sistema que não apresenta resultados eu já consegui diminuir em um mês 20% da minha conta de água”, contou ele, detalhando que a água que é recolhida passa a ser reutilizada para dar descarga e para limpeza da casa. A família do bombeiro adotou também novos hábitos no cotidiano: menos tempo de banho no chuveiro e durante a lavagem de roupas.

Desde janeiro, a população do Distrito Federal passou a ser submetida ao primeiro racionamento de água da história, em decorrência da crise hídrica que o país enfrenta. As primeiras regiões afetadas foram Ceilândia, Samambaia, Taguatinga e Águas Claras, que são abastecidas pelo reservatório de Santo Antônio do Descoberto. No mês seguinte, o nível de água do reservatório de Santa Maria que abastece as outras regiões do DF, diminuiu ao ponto de integrá-las no esquema de racionamento da capital.

Atualmente, o reservatório do Descoberto apresenta um nível de 45,90% e o de Santa Maria em 47,95%, porém, este cenário já esteve pior. No começo do ano, a barragem do Descoberto atingiu 24,18% do seu nível, dado considerado alarmante. Níveis tão baixos de reserva levaram muitos dos que moram e trabalham no Distrito Federal ficarem sem água por mais de 24 horas. Para especialistas, os percentuais ainda são insuficientes e não há previsão para terminar a economia de água na região.

O racionamento levo u muita gente a mudar totalmente suas rotinas. Baldes e caixas d’água entraram no cotidiano das pessoas, mas com criatividade muitos conseguiram driblar a falta de água. Os estudantes de engenharia civil da Universidade Católica de Brasília (UCB) Jéssica Karoline da Silva, Luís Felippe Santa, Mário Fernando da Silva e Matheus Augusto dos Anjos encontraram na água da chuva uma forma de reaproveitamento. Eles criaram um projeto que recolhe a água da chuva para reservatórios que passam a ser utilizados para limpeza e irrigação de hortas. O projeto foi colocado em prática na escola CED 07, em Ceilândia Norte. O local foi escolhido porque um dos colaboradores da inciativa estudou por muito tempo na instituição, colaborando assim para um melhor relacionamento entre os alunos e a escola.

Os estudantes de engenharia civil da UCB construíram três reservatórios com capacidade para armazenar 20 mil litros de água cada um, somando um total de 60 mil litros, ao custo de R$ 9 mil. Eles conseguiram apoio financeiro do Governo do Distrito Federal e a ajuda da comunidade que apoiou na mão obra. Segundo os futuros engenheiros, no mercado cada reservatório sairia em média a R$ 7 mil, o que faria o custo total do projeto sair em torno de R$ 21 mil.

“Nós utilizamos canos PVC, que foram fixados na calha do telhado, assim que acontece a primeira chuva a água suja é descartada e logo após as demais são capturadas e levadas até os reservatórios. ” Explicou Matheus Augusto Oliveira, informando que os três reservatórios poderão abastecer a escola durante o período de economia de água. De acordo com a Diretora Simone Rebouças o Centro Educacional 07, que funciona nos três turnos, possui atualmente 2600 alunos matriculados, entre 8º e 9º ano do ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos sendo a maior escola pública do Distrito Federal.

Ao contrário do que muitos pensam o projeto não foi pensado somente para a economia de água. “A iniciativa serviu para que a gente pudesse conscientizar os alunos e seus familiares, mostrando que essa atitude pode ser feita em casa com um custo muito baixo. ” Afirma Luís Felippe.


Na escola CED 07, em Ceilândia Norte, alunos e funcionários reutilizam água graças a um projeto desenvolvido por estudantes de engenharia civil da Universidade Católica de Brasília. O projeto recolhe a água da chuva para reservatórios que passam a ser utilizados para limpeza. Os três reservatórios têm capacidade para armazenar 20 mil litros de água cada um, num total de 60 mil