Bichectomia, a moda da vez

Em busca da beleza perfeita, vale passar por uma cirurgia para reduzir as bochechas

Anna Paula Fernandes e Douglas Ramalho

A universitária Bruna Faleiro, de 21 anos, malha e cuida da alimentação, tem um corpo bonito e saudável, mas conta que só ficou completamente feliz, depois de realizar um sonho: reduzir as bochechas e ter um perfil mais delicado. “Eu costumo dizer que a bichectomia foi a melhor coisa que fiz na vida porque ela melhorou muito minha auto-estima e eu me sinto muito mais confortável quando vou tirar fotos e conversar com outras pessoas”, disse.

Bruna Faleiro está entre as muitas brasileiras que recorrem à cirurgia de bichectomia todos os anos. Ainda não há dados oficiais sobre quantas pessoas procuram especialistas para realizar o que chamam de sonho. Mas médicos e dentistas afirmam que a procura aumenta a cada ano no país e no mundo.

O recurso foi adotado por celebridades mundiais e provocou assim a “descoberta” da cirurgia. As atrizes Angelina Jolie, Megan Fox, Jennifer Lopez e a socialite Kim Kardashian admitem que recorreram à bichectomia para conseguir o rosto ideal.

A palavra bichectomia ainda causa estranheza para muitas pessoas. O termo que se refere à bola de bichat – tecido adiposo localizado nas bochechas – tem esse nome em referência a Marie François Xavier Bichat (1771-1802), anatomista francês que no século XVIII marcou a história da anatomia patológica com seus estudos. O procedimento, apesar de novo no Brasil, é procurado por quem pretende afinar o rosto por questões estéticas.

Apesar de ser um tecido gorduroso, a bola de bichat não perde sua massa com facilidade. Assim, mesmo que a pessoa esteja no peso ideal, ainda mantém o rosto com aparência de gordinho, o que leva à procura da cirurgia por motivos estéticos, na maioria das vezes por mulheres.

A cirurgia envolve uma polêmica entre médicos e dentistas para definir qual seria o profissional adequado para realizar a cirurgia. Os cirurgiões-plásticos, por exemplo, cobram de R$ 7 mil a R$ 15 mil por procedimento. Já os cirurgiões-dentistas oferecerem o serviço por um preço menor: de R$ 1,7 mil a R$ 4,5 mil.

Para o Conselho Regional de Odontologia (CRO) do Distrito Federal, não há dúvidas que a realização do procedimento pode ser realizado tanto por médicos como por dentistas. Por meio da assessoria de imprensa o CRO-DF informou que não há para a entidade implicação alguma que proíba a realização de procedimentos estéticos pelos dentistas.

Porém, no que depender dos médicos a polêmica promete não acabar tão cedo. Em nota conjunta, a Associação Médica Brasileira (AMB), Conselho Federal de Medicina (CFM), Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) afirmam que se dizem preocupados com a saúde dos pacientes e estudam ingressar com uma ação na Justiça contra o Conselho Federal de Odontologia (CFO).

 

Foto: Jacopo Raule / Getty Images