Uber Escolar: nova pela opção para adolescentes

Estudantes aderem pelo preço e charme – tudo compartilhado

Maria Gabbriela Veras

Acorda, escova os dentes, toma banho e um café com o intuito que o sono vá para longe, afinal, logo a aula começa e é preciso atenção para acompanhar tudo. Em meio às tarefas rotineiras da manhã, algo incomum acontece: smartphones na mão, pedido feito e em questão de minutos, o veículo da empresa norte-americana Uber está na porta para ser o meio de transporte até a escola dos jovens clientes. O retorno para casa é semelhante. O soar do alarme indica não somente o fim das aulas do dia, mas também que o requerimento do veículo precisa ser feito. A atitude se repete durante os seis dias da semana em que os adolescentes têm aula.

A aluna do Ensino Médio Isabella Lopes, de 16 anos, que estuda a 10 quilômetros de casa, é só elogios aos serviços do Uber. “Antes o meu meio de transporte principal era o metrô, mas com o aumento da tarifa ficou pesado. Foi aí que decidimos fazer o teste com o Uber. Divido a conta com os amigos e fica, para cada, entre R$ 1,50 e R$ 2”, relatou.

Isabella não se cansa de listar os benefícios dos serviços do Uber.  “Eu peço e em poucos minutos o motorista já está na frente do meu prédio ou na frente da escola. E ele vem me buscar e me deixar na porta de casa”, ressaltou ela, que conta com o apoio da família.

“Como pais da Isabella, na maior parte do tempo fomos nós, os motoristas da nossa filha.  Então deixá-la usar esse serviço é algo novo para nós”, afirma a servidora pública Gilmara Bento, mãe da estudante. O pai da adolescente, o policial civil Dawson Lopes, diz se sentir seguro com os serviços da empresa de transportes. “O Uber tem nos conferido maior segurança ao buscá-la e deixá-la na porta de casa o que nos gera tranquilidade, pois os riscos de assaltos na rua diminuem”, afirmou.

Um dos companheiros de viagem de Isabella é Jader Antonele, de 15 anos. O garoto, que pretende ser jornalista, disse ter analisado as opções disponíveis de transporte para ir à escola. “Eu estou satisfeito com o serviço, os carros são cômodos e os motoristas pontuais e educados”, concluiu.

O estudante Guilherme Neves, de 16 anos, compartilha o carro com a irmã. “Usar outro meio de transporte ficaria bem mais caro para os nossos pais, já que somos dois”, salientou. Guilherme ainda lembra que não tem demais preocupações com o transporte. “Os motoristas sempre chegam no horário previsto, não tenho preocupação em chegar atrasado na aula ou receio do ônibus não passar no dia”, afirmou.

Para a pedagoga Valéria Marinho, que se transformou em motorista do Uber há três meses, a tendência é de mais adolescentes procurarem os serviços da empresa. “Os pais buscam uma alternativa cada vez mais cômoda, eles confiam demais no nosso serviço”, disse ela. “Eu adoro os adolescentes, tenho menos estresse com eles do que com os adultos. Já acordam animados, pedem para colocar música agitada e eu me divirto”, completou.

A tendência citada pela motorista é confirmada pela empresa. Em nota à reportagem, o Uber destaca a qualidade dos serviços que presta.  “Os nossos clientes começaram a perceber que Uber não é um simples serviço de transporte usado apenas em situações corriqueiras, mas sim em atividades do cotidiano, pois é algo que traz muita facilidade e agilidade nas ações do dia a dia.”

Há três categorias de carros dentro do aplicativo: UberX, UberBAG e UberBLACK. A primeira categoria pertence a veículos populares, com o preço econômico – opção mais escolhida entre adolescentes es jovens. O UberBAG é para quem necessita de carros que possuam porta malas maior e o UberBLACK é para quem quer viajar em grande estilo: os automóveis são sofisticados e possuem serviços especializados. As diferenças do preço das categorias variam de R$ 10,00 a R$ 30,00. O preço da versão mais sofisticada dos carros não caberia no bolso dos adolescentes e jovens, embora fãs de carro, estilo e bom gosto, quem tem ditado as regras é a economia.

Rixa  

Nas cidades de médio e grande porte, o espaço passou a ser dividido com a chegada da empresa Uber no Brasil – local antes comandado apenas por um setor, o dos taxistas, e que teve de ser adaptado para que nenhuma das partes saísse no prejuízo. Os taxistas protestaram contra a empresa, alegando que sua chegada fez com que as pessoas aderissem ao tradicional com menor frequência. Os profissionais ainda criticam a forma não legalizada com que a empresa tomou conta das ruas. Agressões, brigas e palavras de baixo calão poderiam ser facilmente testemunhadas quando os contrários se encontravam.  No Distrito Federal, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) regulamentou a atividade do Uber por meio da lei nº 5.691/2016.

Inaugurada em março de 2009, a empresa que tem sua sede principal em São Francisco, Califórnia (EUA), gerou reações negativas quando veio ao Brasil em maio de 2014. A primeira cidade que a empresa se instalou foi Rio de Janeiro, seguida de São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia e Curitiba. No Distrito Federal, a empresa chegou há dois anos, em março de 2015.

Na capital federal, estima-se que mais de seis mil motoristas atuem pela plataforma online. A lei que regulamenta a ação não limita o número de carros, mas inclui regras: possuir quatro portas, ar-condicionado e capacidade para até sete lugares; ser licenciado no Distrito Federal; bem como, possuir seguro de acidentes pessoais com cobertura de, no mínimo, R$ 50 mil por passageiro.

 

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Foto de Capa: Colocar mais tarde, Patrícia Moura vai enviar por e-mail