Muay Thai x Feminilidade

As mulheres se inserem cada vez mais no mundo da luta, antes um universo masculino

Carolina Militão

Aumenta cada vez mais a preocupação das mulheres atualmente das mulheres com a saúde, autocontrole, defesa pessoal e o condicionamento físico. Daí o crescimento da procura por uma modalidade de luta, de artes marciais, chamada Muay Thai. Essa modalidade tem atraído a atenção do público feminino no Distrito Federal. Segundo a Federação de Muay Thai Tradicional do DF (FMT-DF), são mais de 800 praticantes credenciados. Porém, os números podem ser ainda superiores porque os iniciantes não tem o costume de se cadastrar.

As mulheres se destacam nesses dados.. “Em média, elas são 40% do total dos praticantes e a procura do público feminino cresceu desde 2010. Eu tenho mais de 200 alunas na minha academia de lutas”, afirmou o presidente da federação, Gilvan Rodrigues, 39 anos, e praticante da modalidade há 29 anos.

O presidente da FMT-DF disse que a procura das mulheres pelo Muay Thai se justifica pelo desejo feminino de esculpir o corpo à necessidade de defesa pessoal. O esporte permite que as mulheres consigam aprender a auto-defesa e ao mesmo tempo preparar com elegância o corpo. Mas o objetivo da federação é ir além: organizar eventos para divulgar a luta, legalizar as academias e atrair a filiação de novos alunos.

Um grande desafio que a mulher praticante da luta se depara é com o preconceito sobre sua feminilidade, uma vez que a comunidade põe em dúvida o seu comportamento feminino. Porém, em geral, as mulheres adeptas à arte marcial não enxergam a luta como empecilho de tal característica.

Praticante da modalidade há cinco anos, Jucifran Nascimento, de 34 anos, recebeu um convite para fazer uma aula experimental e desde, então, é adepta ao Muay Thai. Para ela, o esporte atua como superação e qualidade de vida. “Não me sinto menos mulher, jamais! Sinto uma sensualidade original e diferente. Uma mistura de elegância e domínio”, ressaltou aos risos.

Segundo o profissional de educação física Clemilson Militão, 39 anos, o  esporte desencadeia muitas funcionalidades no corpo feminino, como a melhora da estética corporal, o aumento da capacidade cardiovascular, o fortalecimento dos membros inferiores, superiores e do core (tronco) e auxilia uma mobilidade maior no quadril e ainda alivia o estresse.

“É uma atividade que tem uma combinação de movimentos, exigindo muita preparação física, traduzindo em um gasto calórico alto e favorecendo o emagrecimento rápido”, destacou Clemilson Silva, que diz que não há restrições à idade para a prática do esporte. “É necessário apenas que o candidato tenha um atestado médico para comprovar aptidão física.”

Letícia Rohod, de 12 anos, mesmo com pouca idade já possui uma graduação avançada. A estudante começou a lutar com 10 anos na Academia de Lutas Gilvan Rodrigues e segundo ela, o Muay Thai é um esporte completo, que além de proporcionar um bom condicionamento físico reduz sua ansiedade, melhora sua auto-estima: “Faz-me sentir forte e autoconfiante”.

Jezreel Oliveira, 33 anos, que pratica as lutas marciais – jiu-jitsu, boxe e Muay Thai – conta que há, ainda, a cumplicidade entre os alunos nas academias de lutas.  Ele há alguns anos e compartilha o tatame com a noiva. Segundo ele, a vantagem no treino em conjunto, já que ambos se motivam e procuram se ajudar. “Não vejo influência da luta na feminilidade das mulheres, inclusive minha noiva é bem feminina”, observou.

O que é o Muay Thai?
A luta também é conhecida como “boxe tailandês” e “a arte das oito armas”,  pois faz o uso combinado de dois punhos, dos dois cotovelos, dos joelhos e dos pés e tornozelos. Do tailandês, significa arte livre. Na Tailândia, onde nasceu, passou a ser reconhecida como esporte nacional, no século XX. O esporte sofreu preconceitos na sociedade e rivalidade entre as academias, que observavam os praticantes como pessoas que não compreendiam a moral do esporte: disciplina, concentração, equilíbrio e autocontrole.

Foto de Capa: Arquivo Pessoal