Criatividade e habilidade superam a crise

Microempresária revela os segredos que impedem o reajuste do preço da marmita

Patrícia Moura

A cearense Glaucieda Araújo, de 41 anos, está na contramão da crise: aumentou em 30% as vendas, desde que abriu o “Tempero da Glau”, há dois anos e meio, na quadra 2 em Sobradinho. Trabalhando de segunda à sexta-feira, ela faz e vende marmitas a R$ 10,00. O curioso é que o preço nunca mudou. Outro aspecto incomum é que a Glaucieda não faz propaganda, mas mesmo assim, a clientela cresce diariamente. O segredo? Ao Artefato, a pequena empresária contou que a “alma do negócio” é correr atrás das promoções, garantir a qualidade dos produtos e diversificar os pratos.

“O desafio é fornecer comida saudável com custo que seja acessível a todos. Eu saio para fazer compras todo dia, vou pegando as promoções e, se eu aumentar o preço, nesse período de crise, vai onerar muito e eu perco a clientela”, afirmou Glaucieda Araújo, que vende, em média, 60 marmitas por dia.

A empresária tem uma série de estratégias para driblar os reajustes dos preços dos alimentos: ao encontrar o produto mais barato do que de costume, compra uma quantidade um pouco maior e faz estoque. Também sugere a negociação com os fornecedores e feirantes, pois quanto maior a quantidade de produtos comprados, maior é o desconto obtido.  “Se eu aumento o meu número de vendas, consequentemente eu consigo reduzir o meu custo”, ensinou.

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Glaucieda Araújo faz marmitas há dois anos e meio

Para garantir a fidelidade da clientela, Glau aceita vários tipos de cartão de crédito e débito. Na compra da décima marmita, saem de graça a de número 11 e a taxa de entrega. O que chama atenção nas marmitas, além da qualidade, é o recipiente  que pode ser levado ao freezer e também no micro-ondas. “É todo um processo, da pontualidade à entrega do produto, ou seja, da marmita. A gente não entrega de qualquer jeito. Se for assim, eu nem mando”, observou.

Bem-humorada, Glau acredita que o temperamento dela também ajuda nos negócios: “Tem dia que não vende tanto. Faz parte. Quando você está na UTI, tem aquele aparelho ligado que diz se você está vivo. São os altos e baixos. Se você ficar naquele ritmo constante é porque sua vida parou. Com as oscilações que a gente aprende”.

Fotos: Patrícia Moura