Escoliose: você pode ter e não sabe

Uma série de cuidados ajudam a prevenir

Nikelly Moura

A escoliose é uma curvatura lateral na coluna vertebral que nem sempre pode ser observada a olho nu, mas o indivíduo deve ficar em alerta diante de alguns sinais como um lado da cintura maior que o outro, um ombro mais alto que o outro, uma perna maior que a outra. De acordo com especialistas, há três tipos de escoliose: a congênita, aquela que a pessoa nasce com a alteração, a neuromuscular que afeta o controle dos músculos e a idiopática, que ocorre na fase de crescimento da pessoa.

Para ser considerada escoliose, a curvatura na coluna deve apresentar mais de 20 graus. O desenvolvimento da patologia ocorre na fase da adolescência, quando há formação óssea – escoliose idiopática -, fase em que a correção é feita com mais facilidade. O ortopedista do Departamento Médico da Câmara dos Deputados, Mário Soares, afirmou que é possível identificar o problema a partir de uma avaliação clínica.

“É uma triagem que pode ser realizada ainda na escola. Encaminha-se o paciente ao ortopedista, onde é realizada uma avaliação e acompanhamento para ver se a escoliose está progredindo ou não. Nesses casos é até dada uma atenção maior, pela maior chance de correção”, alertou o médico.

As mulheres são mais propensas a nascer com escoliose ou desenvolvê-la com o decorrer do tempo, no entanto, ainda não há estudos eficazes que expliquem o porquê de as mulheres terem tendência maior à doença. Nos casos em que o grau de curvatura é muito elevado, acima de 40 graus, a gravidez não é indicada, pois devido à sensibilidade da coluna, o peso da criança pode afetar ainda mais a escoliose.

Camila Miranda, 23 anos, descobriu que tinha escoliose aos 11 anos, quando sua mãe notou que sua postura era diferente e decidiu levá-la ao ortopedista, que confirmou a suspeita. “Na época, por recomendações médicas, fiz algumas sessões de Reeducação Postural Global (RPG) e atualmente, para fortalecer minha musculatura e fazer com que eu tenha uma postura melhor, faço pilates e me ajudou muito”, relatou a jovem.

Tratamento

Há casos em que o tratamento é feito por meio de coletes, cada um com sua finalidade e distinção, a depender muito da curvatura obtida pelo paciente. Porém, o uso do colete não traz a cura, apenas corrige a postura e evita a evolução da curvatura espinhal.

A opção considerada mais radical é cirúrgica. Nela, é reparada a curvatura vertebral, mas tal procedimento só é recomendado se a curvatura da coluna for acima de 40 graus ou se sua evolução estiver muito acelerada. Nesses casos, só o médico especialista pode autorizar a cirurgia após um estudo do caso do paciente, pois o procedimento pode levar a uma lesão neurológica devido à medula óssea.

Foto de capa: Joksa Natividade.