Poetry slam, batalha poética

O empoderamento feminino em poesia: mulheres saem às ruas em nome da arte

Thaís Rodrigues

No Distrito Federal, quatro jovens se uniram e criaram um movimento feminino em forma de poesia, o “Slam das Minas”. Assim Meimei Bastos, 25 anos, Tatiane Nascimento, de 31 anos, M. Rodriguês conhecida como Marinão de 24 anos e Val Matos, de 26 anos, trabalham intensamente para divulgar as batalhas de poesias de autoria própria. Há quase um ano, o evento é realizado pelo menos uma vez por mês, em espaços cedidos por parceiros nas periferias do DF e também no Plano Piloto.

“A ideia do slam é de criar um espaço só pra minas. Isso se expande a todas as mulheres do gênero feminino: lésbicas, transexuais e não binárias (que não se identificam com o padrão binário de gênero, homem-mulher/masculino-feminino)”, disse Meimei Bastos. “É um espaço de empoderamento e acolhimento. O Slam das Minas é o primeiro slam de poesias só pra minas, foi criado em 2015. Agora tem um em SP.”, enfatizou.

Meimei Bastos, uma das fundadoras, é elogiada com frequência pelos poemas cujo foco está nas periferias do DF. Aos 25 anos, ela prepara o lançamento do primeiro livro de poesias: Um verso e Mei. A primeira edição tem uma tiragem de 1,5 mil exemplares, e a estudante de artes cênicas conta com a ajuda de amigos e parentes na parte do financiamento de sua obra.

Duelos

É na poesia que os jovens se encontraram como expressão artística e cultural, levando à criação de grupos, em vários locais do país, dispostos a promover competições. Nesses espaços há verdadeiros duelos entre as participantes que apresentam os versos de autoria própria.

Para participar, é preciso seguir uma série de regras. Cada participante tem três minutos para se apresentar. Não é permitido o uso de adereços, figurinos, música ou cenário. E, o mais importante: todos os poemas e textos devem ser de autoria própria. O slam das minas possui as mesmas regras, porém, a maioria dos textos tem o foco no empoderamento feminino e elas não avaliam a performance.

Em geral, as batalhas de poesias são promovidas nas periferias das capitais. Em São Paulo, por exemplo, as disputas poéticas são ao ar livre na zona leste da capital, toda última sexta-feira do mês em uma praça ao lado do metrô promovido pelo projeto “Slam da Guilhermina”, o segundo slam mais velho do país.

Também em São Paulo, é realizado o slam mais antigo do país – o “Zap Slam” que, desde 2008, reúne jovens poetas e escritores. A Zona Autônoma da Palavra é o primeiro “Poetry Slam” (campeonato de poesia) do Brasil. As batalhas acontecem na segunda quinta-feira do mês na sede do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos -Teatro Hip Hop em São Paulo.

História

O poetry slam ou batalha de poesia chegou ao Brasil na década de 1990 e se expandiu pelo país. Idealizado nos anos 80, em Chicago, Estados Unidos, por Marc Kelly Smith – um trabalhador da construção civil e poeta -, o movimento provocou uma renovação para os encontros poéticos ao oferecer uma nova proposta no cenário cultural. O gênero ganhou força com a aceitação de adolescentes e poetas independentes, que viram nessa forma de fazer literatura um campo maior de possibilidades de inovação e arte.

O termo slam possui diversas traduções. Porém, as poetisas preferem a tradução associada ao “barulho” – palavra que se vincula à literatura de protesto. O slam é a união de performance e poesia e por meio dele há as apresentações de spoken word ou da “palavra falada”, podendo ser também “poesia falada”.

Foto de capa: Ana Cláudia Alves