Obesidade e sobrepeso

Distrito Federal lidera ranking nacional de obesidade infantil

Luiza Barros

No Distrito Federal, uma em cada três crianças, de 5 a 10 anos, apresenta sobrepeso, segundo pesquisa realizada pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional em parceria com o Ministério da Saúde. De acordo com especialistas, os números são alarmantes. O quadro é agravado por um conjunto de fatores: genética, alimentação inadequada e sedentarismo impulsionam a obesidade infantil. Porém, as causas podem começar ainda na amamentação e serem acentuadas com o consumo de alimentos industrializados.

De acordo com o levantamento da Global Burden of Disease – grupo de pesquisa norte-americano que avalia a mortalidade de grandes doenças -, o Brasil ocupa a quinta posição entre os países com o maior índice de obesos no mundo, perdendo para os Estados Unidos, China, Índia e Rússia. No Brasil, calcula-se a existência de 22 milhões de pessoas acima do peso, das quais 83,8% são crianças.

“Comecei a sentir os problemas da obesidade aos 25 anos, agora, com 42, sinto os problemas do meu filho”, desabafou a advogada Simone Lima, que conta o drama vivido pelo filho Victor Hugo, 12 anos, que é vítima de doenças respiratórias em decorrência dos 29 quilos acima do ideal.

No caso de Victor Hugo, a nutricionista Kátia Baptista, é preciso avaliar a possibilidade também do ar não entrar corretamente pelas vias nasais o que danifica o pulmão.

Lara Garcia é especialista em nutrição infantil e costuma propor mais atenção no preparo dos lanches dos filhos na escola. “As crianças devem levar pelo menos duas frutas diferentes, uma fatia de pão ou dois biscoitos de água e sal com o acompanhamento do suco natural preparado em casa”, sugeriu ela.

De acordo com a especialista, o importante é dosar a quantidade de doces, frituras e massas consumidas pelas crianças durante a semana. O equilíbrio, segundo ela, está na escolha por legumes e verduras, assim como o arroz e o feijão. Desta forma, a criança estará bem alimentada e evitará a tendência ao sobrepeso.

A professora de Educação Física Daiane Patrícia Fernandes defende que os pais deveriam incentivar mais a prática de esportes. “As crianças não se interessam mais em fazer atividades físicas, o celular têm sido um instrumento muito ‘viciante’ e que toma boa parte do tempo delas”, observou. “Elas precisam de um momento para brincar e movimentar o corpo”, disse ela, sugerindo limites ao acesso à internet e aos jogos de videogame.

Valéria de Assis, 37 anos, conta que a filha Bianca, 14 anos, sofre com sobrepeso e não consegue praticar atividades físicas. “Ela fica extremamente cansada e depois dos exercícios, está ofegante”, reagiu. Para Marcos Georggini, fisioterapeuta e personal training, o problema da adolescente é a inconstância da prática. “Não adianta fazer atividade física um dia sim, outro não. É preciso praticar todos os dias e aos poucos, assim o ritmo aumenta com o hábito”, ensinou.

A nutricionista infantil Clarisse Lima disse que, embora os fatores relacionados à genética sejam os que mais acarretam o sobrepeso e a obesidade, o quadro pode ser facilmente revertido. Segundo ela, o ideal é mudar a rotina da casa e os hábitos alimentares.

“Alimentação balanceada, prática de atividades físicas e fazer com que criança durma cedo por volta das dez da noite e acorde às oito da manhã, assim o sistema digestivo funciona de forma correta e são evitados os problemas de sobrepeso”, disse ela.

Foto de capa:  Spa Sorocaba