Crianças X Tecnologia: males e benefícios

Estudo mostra que a geração “Z” lida naturalmente com meios tecnológicos

Amanda Ferreira

Uma pesquisa feita pela empresa produtora de software, a AVG Technologies, em 2015, revelou que 97% das crianças no Brasil entre 6 e 9 anos usam a internet e, 54% delas já possui perfil no Facebook. O estudo fez mais de 2 mil entrevistas com mães em países como Brasil, Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia, Itália e Japão. Essas crianças são chamadas de geração “Z”, pois nasceram a partir da década de 1990 e representam o boom tecnológico.

João Pedro Nunes, 11 anos, é uma dessas crianças que já tem um perfil no Facebook, além de passar boa parte do tempo entretido com jogos online. “Minha mãe não queria que eu usasse o Facebook, mas eu entrava no dela sempre que podia, até que depois de tanto pedir, ela fez um pra mim. Eu entro sempre pelo celular dela, e a senha já fica salva”.

Já Maria Eduarda Dantas, 13 anos, também tem uma conta no Facebook, e relatou que passa bastante tempo na rede social, “porque gosto muito de postar foto”, disse. Com o uso da tecnologia no cotidiano, a vendedora Edna Silva, 43 anos, contou que controla os filhos e suas atividades na internet: “Tenho dois filhos pequenos, um de 8 e outro de 10 anos. Eles gostam de mexer no notebook e no meu celular, mas só podem fazer isso comigo ou algum adulto por perto, e também eu estabeleço limite até para eles assistirem TV, porque se deixar, eles ficam o dia todo”.

As preocupações dos pais e da sociedade como um todo sobre a utilização cada vez mais ativa da tecnologia pelos pequenos é com a pedofilia (quando adultos se sentem atraídos por crianças). A dona de casa Maristela Oliveira, 40 anos, permitiu que a filha, de 13 anos, mantenha um perfil no Facebook, mas acompanha o que a menina faz na rede social. “Como pais, devemos ficar em alerta, porque existe muita gente ruim no mundo e muito pedófilo na internet”, disse ela.

Para se manter atenta às coisas que a filha faz na internet, Maristela tem todas as senhas das redes sociais da filha, e costuma entrar no bate papo do Facebook para ver as conversas dela. Ana Cristina, a filha, contou ser tranquila em relação a essa proteção da mãe, “porque sei que minha mãe só está cuidando de mim”, expressou ela.

A relação das crianças com a internet também levanta questionamentos a respeito da tecnologia ser ou não prejudicial no desenvolvimento e aprendizado dos pequenos. A pedagoga Lohane Peixoto trabalha com educação precoce, uma área voltada para crianças de 1 a 4 anos com deficiência e transtornos. De acordo com ela, a tecnologia funciona como aliada na aprendizagem, mas deve ser usada de forma adequada e com tempo pré-determinado.

Segundo a pedagoga, são necessárias algumas orientações aos pais para que eles saibam lidar com essa era tecnológica. Ela afirma que é preciso desenvolver uma rotina com a criança, de modo que ela tenha tempo definido para fazer uso da tecnologia, brincar, fazer atividade física, socializar com a família e amigos, entre outras atividades que estimulem a criança. Lohane também lembrou que “a tecnologia não pode ser utilizada como uma forma do adulto se desvencilhar da criança, não pode ser um substituto da interação dela com a família, e nem vice-versa, pois esses processos de trocas são fundamentais para o desenvolvimento”, completou.

Foto de capa: Sara Sane e Thiago Siqueira