Desafio é incluir

Igreja Católica se dedica a atividades para pessoas com deficiência

Bárbara Xavier e Thaís Miranda

No Distrito Federal, pastorais e obras assistenciais da Igreja Católica investem cada vez mais na integração das pessoas com deficiência. Os desafios vão desde encontrar voluntários dispostos a colaborar à falta de recursos financeiros, ao preconceito e até desconhecimento da própria comunidade. Uma das principais referências é o Centro Educacional da Audição e Linguagem Ludovico Pavoni (Ceal/LP), na Asa Norte.

Há mais de 40 anos, a instituição atua em parceria com as pastorais inclusivas e transformou-se em referência na inclusão de surdos. Recentemente passou a acolher pessoas com deficiência intelectual e transtorno do espectro do autismo com atividades destinadas a bebês e jovens, mas idosos também podem receber acompanhamento desde que com orientação do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Na instituição é oferecido apoio para diagnóstico, orientação familiar, acompanhamento com profissionais, tratamentos, apoio educacional, inclusão social e, consequentemente, melhoria nos relacionamentos interpessoais. Também são disponibilizados cursos e outros métodos educativos com o intuito de orientar familiares, voluntários e profissionais engajados na iniciativa.

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Foto: Ana Clara Pessoa

A Pastoral do Surdo de Brasília é, atualmente, o maior projeto de inclusão. No Gama, a Paróquia São Sebastião retomou há pouco tempo as missas interpretadas em Libras. A iniciativa conta com a ajuda de intérpretes e um padre da comunidade para fazerem o uso da língua de sinais durante a celebração que acontece aos domingos.

O vigário da paróquia, Padre Thiago Cristino, é especialista em educação de surdos. Ele explicou ao ARTEFATO que a iniciativa se deu a partir de uma sensibilidade religiosa a fim de possibilitar o acolhimento e a escuta da palavra de Deus por parte das pessoas que têm outras necessidades de comunicação.

Segundo Cristino, a maior dificuldade encontrada na comunidade é a cultura de intolerância. “O trabalho é uma tentativa de sensibilizar outras pessoas para a constatação, aceitação da diferença e diminuição dessa cultura dentro da sociedade. Por isso, a colaboração é fundamental na ação de inclusão”, disse o padre.

Maria Callado é uma das estudantes de Libras que auxiliam os surdos durante a celebração. “Percebi que só o folheto não era suficiente para que eles entendessem o que acontecia ali, na missa, e era preciso alguém para interpretar”, disse ela. Segundo a intérprete, ainda falta preparo para que a comunidade receba pessoas com deficiência. “Mesmo não entendendo o que o outro fala, a receptividade não tem língua”.

Para o religioso e a intérprete, é importante que outras iniciativas de inclusão sejam adotadas para que os deficientes se sintam autônomos e em condições de contribuir como cidadãos ativos na sociedade e na igreja.

Foto de capa: Freepik