Crowdfunding, vaquinha virtual

 

Histórias de sucesso e outras nem tanto da nova mudança de hábito

Faby Rufino

A prática do crowdfunding ou financiamento coletivo vem se tornando cada vez mais conhecido no país, já faz sucesso no exterior e é utilizada desde a publicação de livros a financiamentos de espetáculos e tratamentos de saúde. É o modo moderno de fazer as velhas “vaquinhas” de antigamente que eram promovidas para levantar dinheiro ou doações.

A banda britânica Marillion, que usou o crowdfunding para produzir um álbum e financiar suas turnês em 1997, foi uma das primeiras a lançar mão da iniciativa de levantar dinheiro por intermédio da web. A ideia foi tão bem recebida pelos fãs que até hoje a banda, formada por homens com mais de 50 anos, faz álbuns e show a partir do financiamento coletivo.

Experiência semelhante viveu a publicitária Sophia Costa, ex aluna de Publicidade e Propaganda da Universidade de Brasília (UnB). Para seu trabalho de conclusão de curso, ela fotografou mulheres negras que posaram como deusas e montou uma exposição chamada “Raízes”. Com a repercussão positiva do trabalho, Sophia recebeu um convite para levá-lo à Alemanha onde seria exposto no Centro de Mulheres Interculturais SUSI.

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Publicitária Sophia Costa, autora da exposição “Raízes” 

Foto: arquivo pessoal

Porém, sem dinheiro, Sophia foi encorajada a lançar uma campanha no site vakinha.com, para levantar a quantia necessária para a viagem e despesas. O resultado a surpreendeu, “Não só consegui bater a meta, como ultrapassei. Tinha pedido R$ 3.500 e deu R$3.800”, comentou.

O fotógrafo Mateus Lucena também ficou satisfeito com a experiência de crowdfunding. Ele recorreu ao financiamento coletivo vakinha.com e conseguiu arrecadar a quantia necessária para atender à uma oportunidade de trabalho na Índia. Com o objetivo alcançado, hoje ele é muito feliz com a experiência de trabalho fora do país.

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Mateus Lucena conseguiu realizar um trabalho na Índia após se cadastrar em site de crowdfunding

Foto: Andressa Paulino

Criado em janeiro de 2011, o Catarse foi o primeiro site de financiamento do Brasil. Em sua fundação, os criadores disseram que era doloroso ver tanta gente brilhante com projetos engavetados. “O Catarse veio para mudar esse cenário. Mostrar que é possível, com a união das pessoas, abrir novas vias para realizar projetos”, contou Diego Reeberg.

Outro portal semelhante é o Benfeitoria que se propõe a divulgar e apoiar projetos transformadores e que tem como objetivo a cidadania. De 2011 a 2016, segundo organização do site, foram promovidos mais de 800 projetos.

Frustração

Mas nem todos reúnem resultados positivos com o financiamento coletivo via internet, como foi com a Alyne Matos, que por pouco não deu errado. Em junho deste ano, ela ajudou no resgate de uma cachorrinha abandonada – a Maria Flor – que precisava de uma cirurgia na coluna e ela recorreu ao vakinha.com, mas não conseguiu ajuda e nem recebeu doações.

Alyne ainda esbarrou com dificuldades para resgatar o valor doado. “Eles pedem para passar o número da conta que receberá o dinheiro, só que existe um prazo para a doação cair. Vi essa demora como algo prejudicial, afinal quem fez a doação espera ajudar de imediato”, disse ela, que reclamou da insistência do site em “transformar” o valor em crédito para celular.

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Alyne Matos e a cachorrinha Maria Flor

Foto: Adriana Gonçalves

Imagem de capa: Freepik