Um filme de arrepiar

O média-metragem é a primeira produção rodada em Brasília

Bárbara Bernardes

O “Segredo do Parque” é o primeiro filme de terror filmado e produzido profissionalmente em Brasília, com estreia prevista para o fim novembro deste ano. É a história do desaparecimento de uma jovem, vista pela última vez em um parque de diversões, onde desenvolve a maior parte da trama. E a partir daí jovens da mesma escola da garota passam a investigar o caso. O roteiro, direção, elenco e a equipe técnica são todos da cidade. 

Em 2014, a diretora e roteirista Maria Eduarda Senna pensou em montar um média-metragem, quando ela e o amigo Matheus Leadebal ainda estavam na faculdade de Cinema. “Depois disso passei anos amadurecendo esse roteiro e só agora consegui tirá-lo do papel”, afirmou Duda, formada pelo Iesb. “É um mercado que está crescendo no Brasil, mais agora com algumas produções como o ‘Dupla Identidade’, ‘Escaravelho do Diabo’ e a série da Globo ‘Supermax’, que eu já gostava, vamos tentar fazer com que nós emplaquemos junto nessa grande deixa.”

Empolgada, a diretora quer colocar o filme em cinemas, festivais e fazer um evento de estreia. Duda disse que tem um sonho ainda maior: dependendo da aceitação do filme em Brasília, pensa em transformá-lo em uma série.

Para a produção do filme, os atores foram preparados por dois meses com encontros quatro vezes por semana. Depois, veio a fase da gravação em agosto. O protagonista César Chamma contou que a fase de preparação do filme foi fundamental. “É de deixar louco, mas estávamos bem preparados para isso e foi muito gostoso. Demorou a cair a ficha porque todo mundo é tão bom que eu sempre me perguntava como que com aquela galera toda tão talentosa, logo eu era o protagonista”, contou ele.

Chamma faz o papel de Gabriel e disse que desde criança gostava de apresentar peças de teatro. Morou no Rio de Janeiro onde fez cursos para se aperfeiçoar profissionalmente. “A ficha caiu em dois momentos: primeiro no dia em que gravamos o dia inteiro só cenas do Gabriel [personagem principal que é feito por ele], e segundo, quando vi minha foto enorme no pôster. É um pouco assustador”, disse ele.

O brasiliense Claiperon Souza é amante de filmes de terror. “Gosto de sentir a combinação de angústia e receio do obscuro a espreita. Gosto de ver o quão grandiosa uma história pode ser e impacto pode causar, tendo uma tela separando a realidade da fantasia, e o estado máximo da arte borbulhando criatividade”, contou.

Ao falar sobre “O segredo do parque”, Claiperon disse acreditar que o filme pode ajudar a disseminar a cultura do DF, desde que a história tenha abrangência e contexto com a cidade e suas peculiaridades, e que assistiria contanto que o filme tenha sido bem produzido e tivesse um “quê de cinema”, nada amador.

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Desafio

A produção do filme decidiu mudar a imagem que se tem de Brasília associada ao cenário político – Esplanada dos Ministérios, Praça dos Três Poderes, Congresso Nacional e os Palácios do Planalto e da Alvorada.  A direção de “Segredo do Parque” resolveu mostrar a cidade a partir da perspectiva de polo cultural. “Isso deve trazer muito orgulho para todos nós da cidade, creio eu. É muito bom ver que estamos cada vez mais saindo da caixinha das comédias pastelão e filmes políticos! Não que sejam ruins, mas variedade é sempre bem vinda!”, disse Chamma.

Para ajudar mais na disseminação cultural brasiliense, a trilha sonora escolhida para o filme foi toda composta por bandas de rock de Brasília: Belga, Massay, Lupa Pollares e Dona Cislene. O ritmo das músicas segue o padrão do rock alternativo onde há na maior parte das músicas sons de guitarra, bateria e baixo de forma acelerada. Esse ritmo musical é comum ouvir em filmes de suspense.

Foto: Divulgação.