Suicídio é questão de saúde

No DF, os números prevalecem entre os da cor parda, de 20 a 39 anos

Gláucia Cardoso

O suicídio é considerado problema de saúde pública, segundo o relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, cerca de 12 mil pessoas morrem por ano, algo em torno de 32 casos por dia. De acordo com especialistas, cerca de 90% das tentativas de suicídio poderiam ser evitadas.

A Universidade Católica de Brasília (UCB) promoveu o seminário “Sente-se, vamos conversar? ” Para debater o assunto. Nele, a psicóloga e voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV) Larissa Vasques Tavira fez uma recomendação geral. “É preciso parar de falar, e ouvir mais o que as pessoas têm a falar. Não é usar fórmulas prontas ou contar os fatos pessoais para solucionar os problemas. As pessoas querem desabafar”, disse Larissa Vasques.

No Brasil, a taxa de suicídio, de acordo com a OMS com base em dados de 2014, é 5,8 por 100 mil habitantes. A maioria dos que tiram a própria vida é de homens (9,4) e 2,5 mulheres. Apesar dos dados serem baixos em comparação a outros países, comparando as regiões o Sul é a que apresenta a maior taxa. O suicídio foi responsável por 3,7% das mortes entre jovens – de 15 a 29 anos. A concentração maior está entre os adolescentes que têm entre 15 a 19 anos, assim como os idosos.

Distrito Federal

Estudo, apresentado este ano na Faculdade de Enfermagem da Universidade de Brasília, mostra que, durante 2000 a 2014, a taxa de mortalidade foi de 4.4 óbitos/100 mil habitantes. A predominância de óbitos foi em homens (75.4%), de 20 a 39 anos (52%), de cor parda (70.3%). A maior parte das pessoas escolhe tirar a própria vida em casa (48.4%) e o método que prevaleceu foi o enforcamento (47.5%).

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Foto: Paula Carvalho.

No Distrito Federal, há um Plano Distrital de Prevenção do Suicídio formado por 25 ações em seis eixos: avaliação e monitoramento; compromisso político; prevenção (universal, seletiva e indicada); tratamento e pós-venção; capacitação e informação. Médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais ficam de plantão em alguns hospitais regionais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para os atendimentos.

A psicóloga Beatriz Montenegro, da Diretoria de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), afirmou que o objetivo é garantir o atendimento amplo. “Alguns programas de formação também estão disponíveis na Rede de Atenção Psicossocial, sensibilizando e treinando os profissionais de saúde”, afirmou.

A psicóloga é responsável também pelo acompanhamento da Política Distrital de Prevenção ao Suicídio. Segundo ela, as taxas de suicídio por região administrativa isoladamente inspiram cuidados. “Brazlândia apresentou uma taxa considerada alta, seguida de Águas Claras, Riacho Fundo I e Lago Norte com taxas consideradas moderadas, segundo o critério da OMS”.

Os principais fatores de risco para o suicídio são a tentativa prévia e a presença de transtornos sociais ou emocionais, como: dificuldades nas relações familiares e pessoais, trauma por ter sofrido abuso sexual ou físico, problemas de autoestima e conflitos relacionados à orientação sexual e identidade de gênero. A maioria das pessoas que morreram por suicídio tinham histórico de problemas mentais. Segundo a OMS, 35,8% são os transtornos de humor, como a depressão e o transtorno bipolar, 22,4% são os transtornos por uso de substâncias psicoativas, 11,6% e 10,6% tratam de transtorno de personalidade e esquizofrenia.

A coordenadora da Comissão de Estudo e Prevenção ao Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria, Alexandrina Meleiro, afirmou que o suicídio não atinge apenas os que sofrem de transtornos mentais. “O suicídio não é regra nos pacientes com transtornos mentais [nem todo doente mental comete suicídio], mas é inegável a relação que existe entre estes dois pontos, havendo uma prevalência dos transtornos mentais em casos de morte por suicídio, devido à falta de diagnóstico e tratamento adequado”, disse a médica ao ARTEFATO.

A Associação Brasileira de Psiquiatria e o Conselho Federal de Medicina lançaram, em 2014, a cartilha “Suicídio: informando para prevenir”, que visa informar profissionais e os interessados no tema para identificarem possíveis sinais de tentativa de suicídio, e como tomarem providências para evitá-lo.

A psiquiatra Alexandrina Meleiro afirmou que há pessoas que planejam o suicídio e há outras que agem por impulso. Ela recomenda observar: pensamentos de suicídio, organização de detalhes de despedidas, bilhetes, mensagens nas mídias sociais, o acúmulo de comprimidos e comportamentos de despedidas com ligações dizendo “adeus”.

Foto destaque: Paula Carvalho.