O som aqui é delas

Djs mulheres ocupam cada vez mais espaço, mas lutam por reconhecimento

Faby Rufino

O número de mulheres entrando no universo de DJs vem aumentando e elas enfrentam desafios ainda maiores do que em outras profissões do mercado de trabalho. O motivo? O ambiente dos disc jokey é tradicionalmente masculino. No ranking dos 50 melhores DJs nacionais, segundo a Housemag – revista de música eletrônicaapenas três mulheres conseguiram nome o suficiente para entrar na lista: Anna (16º), Groove Delight (18º) e Devoshka (49º), comprovando a dificuldade enfrentada por elas para terem seu trabalho reconhecido.

Apesar de todos os atropelos essa diferença vem diminuindo e, cada vez mais, mulheres que resolveram seguir a profissão ganham destaque no Brasil e no exterior devido à produção de um som diferenciado.

A DJ Donna, que está na carreira desde 2000, decidiu entrar no meio profissional depois de ser incentivada por um amigo também DJ que enfatizava a falta de mulheres no meio. Donna teve de lidar com um duplo preconceito – além de ser mulher ela toca black music e hip hop, um cenário predominantemente masculino.

Quanto aos desafios de se firmar e conseguir reconhecimento, Donna comenta que sempre gostou de desafios e por isso não teve medo de se inserir como dj profissional.

patricia-4-1
Donna, teve de lidar com duplo preconceito – além de ser mulher, ela toca black music e hip hop.

Foto: Patrícia Nadir.

Em Brasília, a festa Praia Sunset lançou o Only Girls Edition em que apenas mulheres são convidadas para tocar. O DJ Marcelo, produtor do evento, prevê uma realização mensal da festa que começou como uma comemoração do Dia das Mulheres e deu tão certo que decidiram manter. Marcelo tem muitas amigas DJs e este fato serviu como impulso para criar a noite delas que vêm ganhando muito reconhecimento e espaço no mundo dos DJs.

Para mostrar independência e propagar o crescimento das DJs mulheres, o site Shejay – metade Londrino metade Angelino – oferece o mesmo tipo de ranking que o brasileiro Housemag. A diferença é que a lista é composta só por mulheres. São listadas as 100 melhores DJs do mundo, e entre elas, estão sete brasileiras.

Na relação do Shejav aparecem: Mara Bruiser em 12º lugar, depois  K-Milla em 22º, Ana, do PetDuo, em 42º, Ingrid Santos em 46º, Denise Konzen em 61º, Eli Iwasaem  em 64º e Mary Zander, em 74º posição.

Em comum as sete DJs têm vários aspectos: todas estão na faixa dos 20 anos, moram no Rio ou São Paulo e passaram algumas temporadas no exterior.

Foto destaque: Aline Brito.