MMA – Luta ou arte marcial?

Especialistas advertem para vantagens e desvantagens

Rodrigo Souza

A prática de esportes de luta em Brasília está sendo bastante difundida nos últimos anos. Impulsionada pela Família Gracie e da vinda do UFC, em 2011, várias academias surgiram no cenário atual, o que aumentou o número de praticantes, pelo fato de procurarem centros de treinamento para fazer uma atividade diversificada, como forma de manter o bem estar.   

O Brasil já é o segundo maior mercado de academias em número de estabelecimentos, com quase 32.000 unidades e o quarto em alunos, que são 8 milhões, de acordo com a International Health, Racquet & Sportsclub Association (IHRSA). Distrito Federal possui 1,2 mil instalações. Pesquisa apresentada em agosto de 2016 pelo Instituto Ipsos mostrou que 14% da população brasiliense com 13 anos ou mais praticam alguma modalidade esportiva.

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Jiu-jitsu também faz parte dos treinos do MMA

Foto: André Rocha Vieira.

No Brasil, o MMA começou na década de 30, quando o jiu-jitsu por meio de Hélio Gracie, que tentava se estabelecer no país. Mas as chamadas artes marciais mistas surgiram através do pancrácio. Na época eram envolvidas várias técnicas, que incluíam o boxe, luta livre, estrangulamento e travamento das articulações. O pancrácio foi usado como base do treinamento dos soldados gregos e entrou para as Olimpíadas da Era Antiga.

Nas competições oficiais, são incluídos golpes em pé e no chão. Utiliza uma grande escala de socos, com os punhos, pés, cotovelos, joelhos, além da imobilização. Envolvem técnicas de várias modalidades, como judô, jiu-jitsu, karatê, taekwondo, boxe, luta livre, muay thai, etc, e por essa razão, exigem do lutador.

Benefícios

O professor de judô Henry Oliveira Santos disse que estudos mostram que a prática da arte marcial que ele ensina beneficia porque exige muito do atleta. “Há estudos que comprovam que o judô aumenta a massa cefálica do homem. Devido a ser um esporte de alta concentração e estimula o raciocínio e daí projetar o seu adversário, ele faz com que o seu cérebro venha a ser mais desenvolvido. E fisicamente, a questão óssea, dos ligamentos e prepara o seu corpo para qualquer adversidade, como a queda”.

José Luiz Queiroz, professor de jiu-jitsu, acrescenta que a atividade contribui para a saúde emocional dos atletas. “A pessoa vai ter condição de suportar mais a pressão do dia a dia e as dificuldades pessoais e familiares, desde que tenha uma boa orientação. A modalidade traz a higiene mental, que é chegar ao tatame e se entregar no treino, para depois o indivíduo entender os problemas de outro modo”, afirmou.

Para Rafael Gomes, professor de muay thai, a paixão pela arte marcial veio aos 13 anos, apesar de não ter despontado entre os campeões, resolveu se dedicar ao esporte. “Gosto de muay thai e costumo exigir dos meus educandos a disciplina, o cumprimento dos horários nos treinos e respeito”, argumentou ele, informando que os treinos são baseados no preparo físico, elasticidade e técnica.

Karine Santos Sousa, aluna de jiu-jitsu, falou que faz atividade física por gostar do esporte, o que trouxe melhoras na saúde física e mental. “Os exercícios me fizeram bem. Além de ter perdido peso, me sinto mais disposta e sofro menos para subir escadas e realizar atividades do tipo. Ir aos treinamentos traz paciência e disciplina. Não é fácil, pois tem que ter muita persistência. O jiu-jitsu me deu mais garra ainda para não desistir fácil das coisas”.

Guilherme Falcão Mendes, nutricionista, falou que a nutrição correta auxilia no funcionamento do organismo humano e na manutenção da capacidade do indivíduo de fazer exercícios. “A dieta precisa ser composta por alimentos frescos. Fazer consumo de três porções de frutas, uma a duas de proteínas, três de hortaliças, três de leite e derivados ajuda a manter a boa forma”, relatou.

Malefícios

O médico Moacir Silva Neto, do Centro de Medicina Preventiva e Esportiva (CEMPRE), alerta sobre os cuidados que os praticantes de MMA devem ter. “O objetivo histórico das lutas é causar a morte do oponente e o dano físico. Por ser um combate, existe o risco de durante a luta e há lesões traumáticas”, explicou ele, informando que dependendo de onde o golpe pode acertar haverá fraturas no pé, mão, trauma abdominal e traumatismo cranioencefálico. “Há riscos de lesões por esforço repetitivo, como tendinites e lesão muscular”, complementou.

Silva Neto afirmou que o risco é 67% maior de golpes desferidos na cabeça. Apesar das advertências, o médico disse que o MMA é menos violento e prejudicial do que o boxe. “Em termos de exposição, a pessoa tem chance de ter 59,4% de lesão no boxe, enquanto nas artes marciais, correspondem a 49%”, comentou.

Mário Henrique Barreto de Oliveira, atleta profissional, comentou que pratica esporte de combate desde pequeno por encanto e que teve várias lesões durante a carreira. “Sou profissional no MMA há quatro anos e participei das competições amadoras de karatê, judô e taekwondo antes de me profissionalizar. A preparação esportiva me levou a quebrar as duas mãos, os dois pés e a clavícula”, contou.

Ellen Luiza Rangel de Castro, nutricionista, avisa que a alimentação inadequada e o uso de suplementos podem trazer riscos as pessoas. “Antes do exercício, o praticante de luta precisa comer carboidratos, para ter energia. Caso não aconteça, o indivíduo pode ter hipoglicemia, que é a queda de açúcar no sangue, perder massa muscular, ter desmaio e fraqueza. O consumo exagerado de suplementação com proteína faz mal aos rins e o fígado”, relatou.

Guilherme revelou os alimentos que o praticante de lutas pode consumir, para evitar problemas físicos e aconselha o aluno a procurar um nutricionista. “Antes do treino, o esportista precisa tomar água, em torno de 500 ml. Ao longo do exercício, tem que ingerir pequenos goles de água. Se a preparação durar mais de uma hora, pode usar bebidas isotônicas, que tem sais minerais e açúcares, para repor energia. Do contrário, pode ter indisposição e desconforto gastrointestinal”, recomendou.

Foto destaque: Brena Oliveira.