É rock no Planalto, bebê

Seguindo a tradição, bandas brasilienses buscam reconhecimento

Luiza Barros e Thaís Rodrigues

Bandas autorais brasilienses reivindicam mais espaço para divulgação, apoio financeiro e lugares para shows e festivais. Os integrantes alegam que o cenário underground de Brasília já existe, mas apenas ele não é suficiente. Eles reclamam ainda da ausência de espaço nos meios de comunicação, de participar da divulgação dos eventos, de receber subsídios do governo, como a lei de incentivo à cultura – Lei Rouanet – e da autorização para integrar shows e festivais. Todas essas dificuldades agravam os desafios para se consolidar comercialmente.

Na busca pelo reconhecimento, as bandas independentes de Brasília participam de festivais e pequenos eventos. Geralmente os grupos recebem cachês, pagos com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), mas a maioria dos eventos que reúne boa parte das bandas do Distrito Federal é custeada pelos próprios integrantes em decorrência da burocracia em conseguir apoio neste órgão.

Desde a década de 1970, Brasília consagra bandas que despontaram nacional e internacionalmente, como Legião Urbana, Plebe Rude, Capital Inicial, Raimundos e a precursora Aborto Elétrico e que estão vivas até hoje na playlist de quem curte um bom e velho rock.

D’Ladrine

Nenhuma ideia vai me impedir de ir bem alto! ♫ 

A escola foi o primeiro palco, sem terem nenhuma ocupação, os aspirantes a Rock stars Daniel Rodrigues (vocal); Rafael Sanches (guitarra); Rodrigo Keyti (guitarra); Jhonatan Oliveira (baixo); Gabriel Belmonte (bateria) fundaram a D’Ladrine, “Quando a gente começou a tocar em lugares diferentes, por iniciativa própria, a banda saiu dessa coisa de ‘escola’ e passou a representar o cenário da nossa cidade”, afirma o vocalista.

“Mudança” é a palavra que define a banda em relação ao gênero musical, de acordo com os integrantes. O vocalista Daniel Rodrigues disse que o grupo não toca apenas rock, mas mescla diferentes estilos. Como compositor, Daniel Rodrigues assim que finaliza uma letra, experimenta tocá-la em outro gênero e, em seguida no rock. Para ele, é uma maneira eficaz de diversificar a melodia de cada música.

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A banda D’Ladrine, de Brazlândia, conquista público no Distrito Federal e entorno

 

Além disso, a banda possui influências do rock nacional como a banda Scalene e internacional como a banda de indie rock Arctic Monkeys. O baixista Jhonatan Oliveira, dá um toque de metal a banda e Daniel Rodrigues, como um bom maranhense que não se esquece das raízes, introduz um gostinho de forró.

DeLana

É o meu sonho e não dá pra fugir♫ 

Criado em 2012, o DeLana é uma união de antigos membros de bandas que se dissolveram. Com André Luís Santos na guitarra e vocal; João Pedro Carvalho na guitarra; Jailson Carneiro mais conhecido como “Pulga” no baixo e Junior Rodrigues na bateria, começaram a tocar quando eram muito novos, tanto é que suas famílias acharam que era coisa de criança pela pouca idade que tinham.

O tempo de estrada influencia o som da banda que se coloca como “alternativa”. “A banda possui muitos elementos, por exemplo, eu sempre escutei muito hard rock e trouxe muito essa minha influência para a banda, já o baterista Júnior trouxe uma grande influência de metal com os pedais duplos, então nós conseguimos mesclar todas essas influências em único som que é o nosso som. ”, afirmou o guitarrista João Pedro Carvalho.

Há cerca de um ano, os integrantes decidiram que era o momento de projetar a banda. Foi excluído do repertório o que era considerado amador e criado um plano de negócio e marketing.  “O mundo da música principalmente o rock está muito independente. Nós temos que pensar em tudo. Temos que saber que estamos gerindo o nosso negócio. Temos que nos organizar como empresa”, disse o guitarrista Pedro Carvalho.

Do lado de fora do Planalto

Agora, nós ‘vamo‘ invadir sua praia ♫ 

Formada pelos irmãos Gustavo Bertoni no vocal, Tomás Bertoni na guitarra em conjunto com Lucas Furtado no baixo e Philipe “Makako” na bateria, a banda Scalene ficou conhecida a partir da segunda temporada do programa SuperStar da rede Globo. Como vice-campeã do concurso que promove bandas independentes, a banda brasiliense conseguiu expandir o trabalho pelo Brasil e até fora do país.

Essa conquista “além das fronteiras” foi tão significativa que o grupo concorre à final do Grammy Latino 2016, na categoria Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa, com o disco “Éter” lançado em 2015. “Ficamos muito felizes e surpresos. É do tipo de coisa que não miramos, mas quando acontece ficamos contentes”, afirmou Gustavo Bertoni.

Em seguida, o vocalista confidenciou: “Meu pai ficou orgulhoso, na cabeça dele, talvez seja mais importante que na minha [o prêmio Grammy Latino]. Fizemos um ensaio para continuar compondo coisas novas e, depois fomos para o Bar Campinense comemorar com amigos e nossa equipe.”

Assim como as outras bandas, a Scalene também teve um começo difícil na capital do rock, porém, conseguiu driblar as dificuldades que lhes foram impostas. Atualmente a Scalene está em turnê pelo Brasil divulgando o seu primeiro DVD gravado na capital e planeja projetos para 2017. Segundo os integrantes, as palavras de ordem são: evolução e expansão.

Foto destaque: Breno Galtier.