Brasília em chamas

Aumento do número de queimadas foi de 370% em relação a 2015

Thaís Miranda

Até o início de agosto, foram mais de 53 mil focos de incêndios florestais em todo país, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Esse valor representa um aumento de 65% das queimadas em relação ao mesmo período do ano passado. A situação foi ainda mais grave no Distrito Federal (DF) em que a combinação do período de seca com as temperaturas altas e a baixa umidade relativa do ar elevou as queimadas florestais em 370%.

De acordo com especialistas, a aridez do cerrado acentua problemas de saúde, como asma e rinite. A carioca de 38 anos, Amanda de Azevedo e sua família sofreram com a seca de Brasília. “Nós não estamos acostumados com esse tempo, foi só chegarmos a Brasília que meu nariz sangrou. A atenção com meus filhos ao correrem e fazerem algumas atividades passou a ser redobrada”, contou.

A seca também trouxe grandes consequências para o meio ambiente. Até o dia 12 de setembro, foram registrados 14,7 mil hectares queimados por incêndios florestais. Esse número equivale a aproximadamente 15 mil campos de futebol.

O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) Alan Alexandre Araújo explicou que os motivos desse aumento considerável de queimadas têm relação direta com as temperaturas elevadas. “O tempo está muito mais quente, a condição de ventos está maior e também tem o fato de o CBMDF estar trabalhando em mais áreas e, então, atendendo mais demandas”, disse.

A major Juliana Toledo, assessora especial da Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil do DF, acrescentou que a quantidade maior de focos se dá pela austeridade das condições climáticas da região. “A baixa umidade faz com que o ambiente fique mais seco, tornando a vegetação mais fragilizada e ressecada. Com isso, a vegetação passa a ser um combustível e a partir daí a gente tem uma propagação muito rápida do fogo no DF”, ressaltou.

O aposentado de 58 anos e ex-servidor público Pedro Antônio de Miranda contou ao ARTEFATO que todo ano sua fazenda, localizada na divisa entre o DF e Goiás, é alvo de incêndios florestais. “Eu fui prejudicado mais com a fauna e a flora, foram cerca de 20 a 25 hectares queimados. A propriedade não tem caseiro, então quando eu cheguei já estava tudo incendiado. Infelizmente a gente não pode fazer nada depois do acidente”, lamentou.

Apesar de as condições climáticas serem favoráveis à propagação de incêndios e queimadas, mais de 98% das ocorrências são de responsabilidade humana — intencional ou acidental —, segundo dados do CBMDF. A fim de exigir maior proteção ao ambiente, foi criada a Lei n.º 9.605 de 1998. Essa norma dispõe das sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.

Para o tenente-coronel Araújo, se a sociedade colaborar e respeitar a lei de crimes ambientais, o número de incêndios pode diminuir.  “A população precisa tomar os cuidados adequados e cumprir a lei. Levamos todo o conhecimento para que se evite incêndio ou qualquer acidente”, afirmou ele, lembrando que a orientação é não arremessar cigarros pela janela do carro e evitar o uso do fogo para qualquer atividade, principalmente na eliminação de restos de vegetação e lixos.

Recomendações

Em 14 de setembro, a temperatura e a umidade relativa do ar tiveram recorde na capital federal, com 34,2ºC e 15%, respectivamente. Com o início da primavera, os dados voltaram às condições normais e até novembro é provável que as chuvas sejam constantes.

A aluna do ensino médio Gabriela Queiroz relatou que, durante o período de seca, evita exercícios físicos. Na escola onde estuda, os alunos são liberados para fazerem outras atividades no lugar das aulas de atividades físicas. “Nas aulas de educação física da escola, podemos estudar ou fazer alguma atividade que não necessite de muito esforço físico, como totó e xadrez”.

Para os cuidados com a saúde, o ideal é a ingestão de bastante líquido e não fazer atividades ao ar livre nos horários mais quentes (10h às 16h) e atentar-se aos alertas emitidos pela Defesa Civil do DF.