Alternativas de contraceptivos

Vantagens e desvantagens, segundo especialistas

Amanda Ferreira

A busca por métodos contraceptivos seguros, que não afetem a saúde e o humor, e garantam a prevenção contra uma gravidez indesejada acompanha homens e mulheres ao longo dos séculos. Na busca por alternativas, preparamos aqui uma relação de possibilidades com os prós e contras e a palavra de especialistas e mulheres das mais distintas idades e profissões. Para quem busca aquela opção infalível e perfeita, o ginecologista Francisco Araújo Filho avisa: não existem métodos anticoncepcionais totalmente seguros e ideais para todos, pois a ciência ainda busca alternativas com a mesma composição do corpo humano.

Os métodos contraceptivos têm também a função de proteger contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), um exemplo disso são os preservativos feminino e masculino. Outros métodos anticoncepcionais podem apresentar perigos maiores para a saúde da mulher. Assim, com exceção do preservativo, todos os demais devem ser de indicação do ginecologista.

O clínico-geral Sakr Khouri, que trabalha na área há dois anos e atua como médico intensivista na UTI do Hospital das Forças Armadas (HFA), recomendou que as mulheres busquem informações detalhadas, antes de optar por uma ou outra opção contraceptiva.  “O que a mulher precisa entender é que não existe um método 100% universal para todas elas. Os métodos oferecem riscos e benefícios para cada uma, considerando estilo de vida, doenças já adquiridas e até tolerâncias aos medicamentos. O uso na saúde da mulher deve ser individualizado, respeitando as doenças prévias e as características de cada uma”, disse ele.

anticoncepcionais_ana-clara-arantes Foto: Ana Clara Arantes.

Segundo o especialista, o desconhecimento provoca uma série de riscos. Um exemplo foi o vivido pela auxiliar de administração Angélica Borba, de 31 anos, que tomou a pílula por mais de seis anos e parou de usar porque passou a sofrer de enxaqueca, perda de libido e lubrificação. Ela pesquisou e viu que os sintomas eram considerados normais com o uso prolongado do medicamento.

Após descobrir sobre os riscos, a auxiliar de administração passou a usar o Dispositivo Intra-Uterino (DIU) de cobre, pois queria uma opção sem hormônios. O DIU de cobre é um dispositivo de plástico no formato de um “T”, que tem um arame de cobre envolta dele, e fica dentro do útero. O cobre não deixa que ocorra a fecundação, mas aumenta o fluxo menstrual da mulher.

Campeã nacional

De acordo com o Ministério da Saúde, a pílula anticoncepcional é a mais consumida pelas brasileiras; No entanto, o que a maioria não sabe é que a drospirenona, substância presente nos anticoncepcionais de marcas conhecidas, aumentam em dobro o risco de trombose.

Há dois tipos de pílula: a pílula combinada, que contém os hormônios estrogênio e progestágeno, e a minipílula, que tem só o progestágeno. A função da pílula é não deixar que ocorra a ovulação, impedindo que o óvulo amadureça e saia do ovário, assim, impossibilitando a fecundação (união do óvulo com o espermatozoide).

Porém, há quem toma e nunca teve nenhum efeito colateral, como é o caso da vendedora Patrícia Gandra, de 29 anos, que usa a pílula desde os 13 anos. “O médico me indicou, tive uma boa adaptação e tomo até hoje. Primeiro, tomava para regular a menstruação e hoje tomo continuada, sem pausa”, contou ela.

Esquecimento

Em meio a tantas formas da mulher fazer a prevenção de DSTs ou gravidez existem recursos mais prolongados que são recomendados para aquelas que não conseguem se lembrar de tomar o anticoncepcional todos os dias. O doutor Sakr Khouri sugere que para as “esquecidas” o melhor é escolher entre o anticoncepcional injetável ou o DIU. Por pertencer a esse grupo de mulheres, a injeção foi escolha da secretária Kelly Tolentino, 19 anos, que foi recomendada a usar a do tipo mensal.

A injeção é bastante parecida com a pílula. Ela pode ser trimestral ou mensal, sendo que a trimestral possui só um hormônio, que é o progestogênio, e a mensal contém o estrogênio e o progestogênio. Ela além de impedir a ovulação, causa alteração no muco cervical e no endométrio.

O ginecologista José Lopes, que atua na área de oncologia há 21 anos  afirmou que ao indicar um contraceptivo para uma paciente, sua escolha depende da idade e das características dela, mas que entre suas indicações estão a pílula, a camisinha e o DIU.  Segundo ele, não existe um método totalmente seguro para a saúde da mulher, pois isso também depende do estilo de vida dela e do parceiro.

anticoncepcionais_ana-clara-arantes-2Fotos: Ana Clara Arantes.

Segurança dupla

A estudante de nutrição Beatriz Alves, 22 anos, escolheu usar dois métodos. Mesmo tomando a pílula, não abre mão do preservativo feminino. Ela disse que não sabia nada a respeito da camisinha feminina, até que uma amiga que usava explicou como funcionava. “Uso a camisinha feminina, porque não confio só na pílula. A pílula pode evitar uma gravidez, mas não uma possível DST. Então sempre que vou a uma festa, tem uma camisinha na minha bolsa, pois não sei o que pode acontecer e gosto de me prevenir. ”

Ainda que o preservativo feminino não seja tão popular quanto o masculino, ele além de proteger contra doenças e uma possível gravidez, também dá mais segurança para a mulher, segundo especialistas. Para o ginecologista José Lopes, o preservativo feminino não é comum porque é complicado de usar. “Muitas mulheres reclamam da dificuldade de colocar e do fato de que diminui o prazer. Por isso, não há uma adesão grande. ” Há vários outros métodos disponíveis, como o implante, que é um cilindro de plástico que possui hormônios de progestogênio. Geralmente se coloca no braço, embaixo da pele, onde ele libera pequenas doses diárias do hormônio. Tem também a esponja vaginal, que absorve o sêmen e impede que os espermatozoides entrem no canal cervical, e o Sistema Intra-uterino (SIU), que é parecido com o DIU. A diferença é que ele libera hormônio, e o DIU não. O hormônio é o levonorgestrel, semelhante a progesterona que é produzida no óvulo.

Pelo natural

Assim como os métodos hormonais e de barreira, há também os métodos naturais conhecidos também, como  “métodos comportamentais”. A lista começa com uma das mais tradicionais: tabelinha, baseada em um cálculo para saber quando começa e termina o período fértil da mulher. Neste período, ela evita relações sexuais por ter  uma possibilidade maior de gravidez. Há, ainda, a chamada temperatura basal.

Nela, é verificada a temperatura do corpo para saber quando está ovulando.  É no período da ovulação, queas mulheres podem engravidar. No coito interrompido, a relação sexual não é concluída, o homem retira o pênis antes da ejaculação.  O risco é grande porque nem sempre há controle por parte do parceiro.

anticoncepcionais_ana-clara-arantes-1Foto: Ana Clara Arantes.

No método Billings, que ocorre pela observação da ovulação através do muco cervical, as mulheres passam a avaliar possíveis alterações na secreção natural, porque são essas mudanças que indicam os dias férteis. Por querer um método totalmente natural, a dona de casa Renata Silva, 37 anos, optou pelo Billings. Além de ser religiosa, um dos motivos que a levaram a escolher o método foi que ela não se adaptava com os tratamentos hormonais. “Sofria muito com os efeitos da pílula, também coloquei o DIU, mas houve rejeição e precisei tirar. Tem seis anos já que eu e meu marido usamos, e não tenho do que reclamar”, disse Renata Silva, que admitiu que, inicialmente, “foi complicado” até adaptar-se.

O ginecologista e obstetra Francisco Araújo Filho afirmou que o Billings é um método muito eficiente, mas ele demanda disciplina do casal. Segundo ele, se for bem utilizado, o sucesso desse método é de 99%.